TRANSIÇÕES E INOVAÇÕES NA PRODUÇÃO DE FRUTAS NAS AMÉRICAS
A América Latina é uma importante região de produção intensiva de fruta, seja de clima subtropical ou tropical, seja de clima temperado: banana, ananás, manga, papaia, citrinos (laranja, limão, etc.), melão verde, maçã, pera, cereja, ameixa, uva, frutos vermelhos, abacate, entre outras. A produção destina-se, em grande parte, à exportação para mercados tradicionais como a Europa ou os Estados Unidos, e até para mercados em crescimento como a China, a Rússia, etc., bem como ao consumo interno de cada país. No quadro das cadeias globais de valor, em que os atores da exportação, da logística e do transporte, dos processos industriais e da distribuição (supermercados) definem os padrões de produção e as normas de comercialização, os atores da produção devem também ter em conta as múltiplas transições associadas, como a urgência climática, o controlo das doenças nas plantações (por exemplo, a banana), a preservação dos recursos e do ambiente (solos, água, biodiversidade, desflorestação, descarbonização), a melhoria das condições sociais de trabalho, etc. A procura dos consumidores por frutas com características socioambientais certificadas (normas e rótulos de produtos biológicos e|ou comércio justo, do tipo GlobalGap, Fairtrade, RainForest, etc.) exige a adoção de inovações técnicas de monitorização e rastreabilidade das frutas nas etapas da sua produção (ferramentas digitais, sensores nas árvores, uso de IA, vigilância durante o transporte, etc.).
Entre tradição e inovação, a produção de fruta na América Latina está a atravessar momentos importantes, o que interpela as capacidades e as condições de adaptação dos atores, em cada elo da cadeia de valor, com a questão crucial da manutenção dos pequenos e médios produtores.
O simpósio propõe reunir trabalhos sobre as diferentes dimensões assinaladas para compreender melhor o seguinte:
* as mudanças atuais nos modos de produção da fruta em relação com as alterações climáticas e as transições agroecológicas,
* o impacto dos padrões e normas difundidos pelos atores da comercialização (exportação e supermercados) em relação com a procura do consumidor final dos países importadores,
* as evoluções das condições de trabalho nas explorações e nas plantações, em termos de mobilidade dos trabalhadores e de circulação dos técnicos e|ou responsáveis das grandes unidades de produção, de mudança geracional e de perda de interesse pela atividade produtiva,
* a tendência para o arrendamento das terras e para a financeirização do setor,
* as evoluções nas empresas transnacionais do setor e as suas formas de territorialização e de associação com os atores locais,
* as transições em curso no elo da logística e do transporte.
