PERIFERIAS EMERGENTES: MOBILIDADE URBANA E SUSTENTABILIDADE SOCIOTERRITORIAL DAS METRÓPOLES LATINO-AMERICANAS EM TRANSIÇÃO
As periferias em constante expansão das metrópoles latino-americanas evidenciam um novo paradigma que interpela a questão-chave da sustentabilidade urbana. Neste sentido, as territorialidades emergentes sustentadas pela extensão de circuitos de mobilidade concebidos quase exclusivamente para o transporte automóvel (de passageiros e de carga) pareceriam contrapor-se e entrar em disputa com os objetivos de desenvolvimento sustentável propostos pela Agenda 2030 (CEPAL, 2017).
Do mesmo modo, o modelo da «cidade dos 15 minutos» (Moreno, 2023; Brownrigg, Monzón & Alonso, 2024) –que revela a ligação entre proximidade e sustentabilidade– e a realidade das «periferias sem confins» (Nel-lo, 1998) situar-se-iam em posições antagónicas. Ambos os cenários mostrariam um profundo fosso entre os territórios urbanos desejáveis e os territórios emergentes. Contudo, em ambas as situações, a mobilidade ligada ao desenvolvimento urbano desempenha um papel relevante para o planeamento territorial.
Focado na temática das mutações socioterritoriais metropolitanas em relação com a mobilidade sustentável, este Simpósio pretende dar continuidade a um espaço de reflexão que se tem consolidado e ampliado ao longo das últimas edições dos Congressos de Americanistas (ICA’s realizados na Cidade do México; Viena; El Salvador; Salamanca e Foz do Iguaçu), onde os debates giraram em torno da exposição de diferentes casos, para identificar os fatores comuns que materializam a dinâmica socioeconómica e territorial das metrópoles latino-americanas. Assim, este novo Simpósio tem como finalidade fortalecer essa continuidade e continuar a aprofundar os estudos críticos comparativos sobre os territórios emergentes das periferias metropolitanas em transição.
Para tal, propomos alguns eixos de trabalho (não exclusivos) que nos permitam orientar o nosso debate:
a) Mobilidade quotidiana e vulnerabilidade socioterritorial das áreas periféricas metropolitanas
b) Centralidades emergentes e circuitos seletivos de acessibilidade urbana
c) Novos agrupamentos industriais e sistemas de circulação e logística
d) Corredores de transporte metropolitanos e a sua ligação com as novas formas de urbanização das periferias
e) Áreas de renovação intraurbanas: a mobilidade como fator-chave para a revitalização
f) Territórios intersticiais das periferias: entre a potenciação e a postergação suburbana
Em síntese, convocamos uma discussão interdisciplinar que, abordando a partir de diferentes perspetivas estes processos de transição, permita compreender os novos cenários urbanos e metropolitanos, apresentando propostas para futuras agendas de investigação orientadas para a sustentabilidade das metrópoles da América Latina.
