CRISE ESTRUTURAL DO CAPITAL E DIREITOS HUMANOS: ESTADOS PLUTOCRÁTICOS E LUTAS ANTICAPITALISTAS NAS AMÉRICAS
Este simpósio propõe debater e analisar, a partir de perspetivas críticas (marxistas, anticolonialistas e outras), as manifestações contemporâneas da crise estrutural do capital nas Américas e as suas repercussões em matéria de direitos humanos, migrações e violência por motivos de raça, género e classe|etnia. Um eixo importante é a análise da plutocracia estatal: regimes em que o poder político é exercido diretamente por segmentos sociais ligados a frações do capital financeiro, agroindustrial e extrativo, em simbiose com diversas práticas comerciais ilegais. Esta configuração socioeconómica –protagonizada pela extrema-direita e pelo neoliberalismo, mas que não isenta os progressismos latino-americanos das suas responsabilidades na gestão da barbárie contemporânea– agrava a precariedade da vida dos trabalhadores e promove diariamente a exclusão de migrantes, mulheres, populações negras, indígenas e periféricas. As respostas sistémicas à sobreacumulação e à queda tendencial da taxa de lucro, que aprofundam a superexploração do trabalho, a expropriação de territórios, o controlo biopolítico e o encarceramento das populações excedentárias e da juventude, são o fio condutor que permite o diálogo entre docentes e investigadores de diferentes áreas (ensino superior, investigação, extensão, políticas sociais) cujos trabalhos se centram tanto no âmbito das políticas sociais como na investigação das experiências de resistência e articulação popular e de movimentos sociais baseadas em contra-saberes emancipatórios.
