EDUCAÇÃO E INOVAÇÃO NAS E PARA AS CIÊNCIAS DA SAÚDE
Os sistemas de saúde das Américas enfrentam transformações profundas decorrentes de mudanças demográficas, epidemiológicas, tecnológicas, sociais e culturais que desafiam as formas tradicionais de formação dos profissionais de saúde. Neste contexto, o simpósio Educação e Inovação nas e para as Ciências da Saúde propõe um espaço de reflexão crítica, intercâmbio de experiências e investigação sobre as tendências, os desafios e as perspetivas dos processos educativos orientados para o desenvolvimento do talento humano em saúde.
O simpósio abordará a educação para profissionais de saúde, analisando inovações curriculares, abordagens baseadas em competências, aprendizagem centrada no estudante, metodologias ativas, simulação clínica, avaliação de competências, bem como o desenvolvimento de competências socioemocionais, profissionais e interprofissionais necessárias para responder aos desafios contemporâneos dos cuidados de saúde. O simpósio promoverá a análise da educação baseada em competências e das Atividades Profissionais Confiáveis (Entrustable Professional Activities, EPAs) como quadros orientadores para o desenho curricular, o ensino, a aprendizagem e a avaliação de profissionais capazes de responder às necessidades mutáveis dos sistemas de saúde.
Promover-se-á igualmente a discussão sobre a educação baseada na comunidade, reconhecendo o papel de pacientes, famílias e comunidades como atores educativos fundamentais. Neste âmbito, as narrativas de pacientes e as experiências vividas nos processos de saúde, doença e cuidado constituem oportunidades para fortalecer a formação humanística, os cuidados centrados na pessoa e a tomada de decisões partilhada, em consonância com os princípios da medicina baseada no valor.
De forma transversal, o simpósio examinará o potencial da inteligência artificial para compreender as suas implicações pedagógicas, éticas e sociais, incluindo a sua influência nos processos de aprendizagem significativa, a metacognição, a tomada de decisões clínicas e as interações entre estudantes, docentes, pacientes e sistemas de saúde.
Do mesmo modo, debater-se-á o papel da simulação em saúde como estratégia para o desenvolvimento de competências clínicas, comunicacionais e de trabalho em equipa em ambientes seguros, favorecendo a segurança do paciente e a qualidade dos cuidados.
Por outro lado, serão abordados os desafios da educação interprofissional, a formação para a aprendizagem ao longo da vida e o desenvolvimento profissional contínuo, considerados elementos essenciais para a construção de sistemas de saúde mais integrados, equitativos, humanizados e socialmente responsáveis nas Américas.
Serão também abordados os desafios ligados à equidade, à diversidade e à inclusão, reconhecendo a importância de gerar ambientes educativos que valorizem as diferenças individuais, culturais e sociais, favoreçam a participação de grupos historicamente sub-representados e contribuam para reduzir as iniquidades em saúde.
Por fim, fomentar-se-á a investigação em educação em ciências da saúde como ferramenta para gerar evidência, orientar a inovação educativa, avaliar o seu impacto e fortalecer a qualidade dos processos formativos.
Será prestada particular atenção às experiências e desafios da América Latina e das Caraíbas, promovendo o intercâmbio de conhecimentos, investigações e boas práticas que contribuam para o desenvolvimento de sistemas de saúde mais equitativos, inclusivos, humanizados e socialmente responsáveis.
