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AVANÇOS E DESAFIOS DA FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS INDÍGENAS NO ENSINO SUPERIOR NA AMÉRICA LATINA.

O acesso ao ensino superior para jovens pertencentes a povos originários tem vindo a ampliar-se na América Latina. Desde os primeiros docentes de educação bilingue intercultural nas últimas décadas do século XX até aos profissionais de disciplinas muito diversas, com licenciatura e pós-graduação, que se vêm formando no século XXI, a formação superior dos profissionais indígenas gerou importantes questionamentos, entre eles: o quê, o como e o para quê dessa formação. Assim, questões curriculares remetem ao quê: a partir de que perspetivas e posições epistémicas se coloca a formação nas instituições de ensino superior? Que conteúdos, que histórias, que conhecimentos, que línguas devem ter espaço nessa formação? E como transmitir esses conhecimentos? são algumas das interrogações que exigem repensar, desde a conceção até às práticas pedagógicas em sentido amplo que se impulsionam no ensino superior, considerando a pluralidade dos modos de aprender, bem como as línguas originárias que existem nos povos da região e que as e os estudantes indígenas trazem para as salas de aula.
A finalidade, o para quê, levou ao surgimento de uma variedade de instituições e programas, algumas orientadas para a formação em profissões pertinentes às necessidades dos povos e dos territórios, como muitas das chamadas universidades interculturais, enquanto outras procuraram abrir espaço para os jovens indígenas em profissões e universidades convencionais. Este simpósio convida a partilhar contributos que indaguem sobre este campo de amplo alcance, refletindo em torno dos avanços na formação de profissionais indígenas, na constituição de um corpo de intelectuais indígenas na região, nas mudanças que a sua maior presença traz ao âmbito do ensino superior, e nas estratégias que melhor funcionaram para garantir o acesso, a permanência e a conclusão dos estudos neste nível. Convida também a uma reflexão crítica sobre os desafios ainda pendentes, como a persistência do racismo e da discriminação no ensino superior, as barreiras para construir um maior pluralismo epistémico na universidade, o fosso entre as expectativas iniciais de se formarem e trabalharem nas suas comunidades e a realidade da migração em busca de oportunidades laborais nas cidades capitais. Entre os temas que este simpósio receberá espera-se também a apresentação de estudos sobre a formação de professores bilingues interculturais ou professores indígenas, não só por ser uma das primeiras profissões que abre a entrada de jovens indígenas ao ensino superior, mas também pelo seu papel na formação de novas gerações de crianças e jovens indígenas, num contexto de mudanças aceleradas que afetam a sua identidade, expectativas e projetos.

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