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A CONSTRUÇÃO DA MEMÓRIA NO MUNDO MAIA: TEXTOS, OBJETOS E PAISAGENS

As sociedades maias desenvolveram, ao longo da sua história, diversas formas de registar, transmitir e ressignificar o passado. A cultura material, as paisagens culturais e as práticas rituais, bem como a tradição oral e outras expressões imateriais, constituíram diferentes suportes através dos quais se produziu e preservou a memória social. Estes registos, longe de permanecerem imutáveis, transformaram-se em resposta às mudanças políticas, económicas e culturais que as sociedades maias experimentaram ao longo do tempo. No entanto, para além dessas transformações, a necessidade de construir e atualizar a memória coletiva permaneceu como um elemento constante ao longo do tempo.
Entendida como um processo dinâmico, a memória oferece uma perspetiva particularmente fecunda para abordar o estudo do mundo maia a partir de uma aproximação interdisciplinar. A organização do espaço, a iconografia, as tradições orais e escriturárias não constituem apenas fontes de informação sobre o passado, mas também expressões dos diversos mecanismos através dos quais indivíduos e comunidades construíram narrativas históricas, legitimaram relações sociais e estabeleceram vínculos entre o presente e o passado. A memória desempenhou, igualmente, um papel fundamental nos processos de construção de identidades que, por diferentes vias, permitiu definir formas de pertença, legitimação e coesão dos diferentes grupos sociais. Neste sentido, o passado não deve entender-se como uma realidade fixa, mas como um recurso constantemente reinterpretado. Esta perspetiva é pertinente para compreender diversos processos sociais e culturais maias desde o período colonial até à atualidade.
Nesta perspetiva, esta mesa propõe um espaço de intercâmbio que reunirá investigações dedicadas às múltiplas formas de construção, uso, transmissão e ressignificação da memória no mundo maia. Mais do que circunscrever-se a um objeto específico de estudo, propõe-se a memória como um eixo articulador capaz de favorecer o diálogo entre diferentes disciplinas, metodologias e escalas de análise. Serão recebidas contribuições sobre qualquer período da história maia, desde a época pré-hispânica até às comunidades contemporâneas, bem como trabalhos baseados em abordagens arqueológicas, epigráficas, históricas, antropológicas, linguísticas, bioarqueológicas, iconográficas, arquitetónicas ou patrimoniais.

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