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TRAJETÓRIAS, HORIZONTES E PERSPETIVAS DA CRÍTICA DE ARTES LATINO-AMERICANA DESDE 1950

A crítica de artes latino-americana desde o segundo pós-guerra transformou-se num espaço de produção de discursos central nos debates sobre a arte regional, no qual se desenvolvem reflexões sobre o estético, o político e o cultural que configuram, através de diferentes estratégias, interpretações sobre o fenómeno artístico na América Latina. Neste sentido, a crítica de artes não só acompanhou ou legitimou diferentes práticas, mas teve um papel ativo na construção de categorias interpretativas, na definição de itinerários históricos e na circulação da arte latino-americana a partir do diálogo com os processos socioculturais do subcontinente e as suas relações com a história da arte moderna e contemporânea.
Em diálogo com os processos de modernização cultural, sociopolíticos e as transformações do sistema artístico global, a crítica de artes latino-americana debateu e tematizou propostas sobre a modernidade, a vanguarda, os problemas da identidade, as condições que surgem com a dependência, o subdesenvolvimento e a globalização, os quais se articulam em teorias, metodologias e periodizações orientadoras da produção crítica latino-americana.
Ao longo do período proposto, a crítica latino-americana foi atravessada por debates sobre o compromisso e a militância, as discussões sobre arte revolucionária nas décadas de 1960 e 1970, a problematização sobre as artes populares até às reflexões contemporâneas sobre feminismos, ecologias e colonialidade, constituindo-se como um espaço de intervenção pública e disputa simbólica.
Por outro lado, geraram-se diferentes formas de materialização destas práticas, entre as quais se incluem redes intelectuais, editoriais, institucionais e expositivas que possibilitam a circulação destes discursos críticos na América Latina e para além das suas fronteiras. Neste sentido, a crítica de artes no período abordado constrói quadros concetuais situados, capazes de pensar as especificidades artísticas, culturais e políticas do continente em relação com outros modelos e tradições de pensamento.
Este simpósio propõe refletir sobre as trajetórias e perspetivas da crítica de artes latino-americana desde 1950 até à atualidade, atendendo aos deslocamentos teóricos que esta experimenta, aos seus suportes de difusão e aos seus vínculos com os contextos sociais e políticos da região, reconhecendo a heterogeneidade que a constitui histórica e teoricamente. Com isto, procura-se destacar que a crítica de artes latino-americana se constitui como um espaço discursivo a partir da sua compreensão histórica e concetual, realçando os seus modos de produção de conhecimento, os espaços e suportes em que se desenvolve e os horizontes que propõe para pensar as artes e a cultura na América Latina, destacando a análise comparada de experiências autorais, locais, nacionais, regionais e globais.

Eixos temáticos:
1. Teorias, periodizações e metodologias de estudo para a crítica de artes latino-americanas
2. Redes, suportes e circulações
3. O social e o político na crítica de artes latino-americana
4. Discursos e modalidades da crítica de artes latino-americana
5. A crítica de artes à escala local, nacional, regional e global
6. Estudos de caso

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