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ARTE E POLÍTICA

Na América Latina, as relações entre arte e política são um campo privilegiado para compreender as transformações contemporâneas dos processos de produção simbólica, as disputas pela memória e pelo território, as formas de ação coletiva e os modos de produção de subjetividade. A nível internacional e regional, podem reconhecer-se nesta área abordagens que articulam estudos culturais, teoria social, filosofia política e análise de políticas culturais, entre outras. Neste âmbito, este simpósio propõe indagar as seguintes interrogações: Como intervêm hoje as práticas artísticas na configuração do comum? De que forma disputam sentidos sobre o território, a memória, as desigualdades, as identidades ou os futuros possíveis? Que papel desempenham as políticas culturais, as instituições e as plataformas digitais nestes processos?

Longe de propor um olhar que as idealize, fica patente a potência das práticas artísticas que não podem apenas ser compreendidas como expressões estéticas –válido, ainda que limitante–, mas como dispositivos constitutivos do entramado político-afetivo contemporâneo, que intervêm na configuração de imaginários sociais, na disputa pelo sentido e na problematização das condições materiais, institucionais e territoriais em que se inscrevem. Ou seja, por um lado, analisá-las como tecnologias de subjetivação que produzem afetos, perceções e modos de relação com o mundo; e, por outro, examinar as condições institucionais, normativas e materiais que estruturam o seu desenvolvimento, circulação e reconhecimento.

Trata-se, então, de habilitar cruzamentos disciplinares diversos, não para construir olhares unívocos, mas para complexificar e problematizar o contexto atual e o seu devir, imaginando também novas possibilidades. A partir destes cruzamentos temporais e disciplinares, este simpósio, a partir da apresentação de estudos de caso e perguntas situadas, propõe-se contribuir para o diálogo inter e transdisciplinar entre diferentes perspetivas provenientes tanto do campo artístico como do político-social. Reconhecendo transversalidades nas abordagens sobre os processos de subjetivação e os debates sobre o alcance das políticas culturais como espaços de articulação entre o artístico e o político (ou entre o estético e o ideológico).

A convocatória dirige-se a investigações empíricas, desenvolvimentos teóricos, experiências de investigação-criação e estudos de caso ligados a algum dos seguintes eixos: 1) políticas para as artes cénicas; 2) disputas de sentido, extrativismo e resistências artísticas; 3) imagem, dispositivo e produção de subjetividade: cinema, território e plataformas; 4) políticas públicas do livro, da leitura e da literatura; e 5) práticas e políticas visuais.

O simpósio procura reunir contributos de diferentes campos disciplinares e tradições de investigação para fortalecer o diálogo entre estudos artísticos, estudos culturais, ciências sociais e humanidades. Espera-se contribuir para a construção de novas ferramentas teóricas e metodológicas para a análise dos vínculos entre produção artística, políticas culturais, tecnologias, desigualdades e processos de subjetivação nas Américas contemporâneas.

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