CORES NAS AMÉRICAS INDÍGENAS
O estudo da cor adquiriu um lugar cada vez mais relevante na investigação sobre as sociedades indígenas das Américas. Longe de a conceber apenas como uma qualidade visual, as abordagens recentes tratam as cores como matérias, práticas, saberes, categorias e experiências culturais capazes de lançar nova luz sobre múltiplas dimensões destas sociedades, entre elas as cosmologias, as práticas rituais, as hierarquias sociais, a produção artística, as tecnologias e as economias. Apesar deste notável desenvolvimento, as investigações continuam em grande medida circunscritas a certas regiões, temporalidades, tradições culturais e categorias específicas de objetos. O diálogo comparativo entre especialistas de diferentes áreas americanas continua relativamente escasso, o que dificulta reconhecer tanto as convergências como a diversidade das conceções indígenas da cor.
Este simpósio propõe abrir esse espaço de discussão interamericano, convidando a comunidade académica a apresentar investigações dedicadas ao estudo da cor em qualquer sociedade indígena do continente americano, desde a época pré-hispânica até à atualidade. São bem-vindos trabalhos que abordem as dimensões materiais, técnicas, sensoriais, linguísticas, estéticas e simbólicas da cor, a partir da história, da história da arte, da arqueologia, da antropologia, da linguística, da conservação e da arqueometria, entre outras disciplinas. Incentivam-se igualmente contributos que integrem métodos interdisciplinares que permitam construir novas abordagens e abrir novas perguntas em torno da cor.
O simpósio procurará, em particular, refletir sobre questões amplas relacionadas com a agência das matérias corantes, a dimensão sensorial da experiência cromática, os vínculos entre cor, brilho e materialidade, bem como os processos históricos de continuidade, transformação e intercâmbio de conhecimentos sobre a cor nas sociedades indígenas. Ao reunir especialistas de diversas regiões das Américas, este simpósio pretende contribuir para consolidar o estudo da cor como um campo de investigação comparativo, capaz de renovar a nossa compreensão das culturas indígenas e de colocar em diálogo tradições académicas que, até agora, evoluíram de forma paralela.
