SABERES ANCESTRAIS E NOVAS TECNOLOGIAS NA AMÉRICA LATINA CONTEMPORÂNEA: PRESERVAÇÃO, TRANSMISSÃO E REVITALIZAÇÃO CULTURAL
A expansão das tecnologias digitais, da inteligência artificial e das tecnologias imersivas está a transformar profundamente as formas de produzir, transmitir e preservar o conhecimento e o património cultural. Perante estas mudanças surge uma pergunta fundamental: de que forma podem as novas tecnologias dialogar com os saberes ancestrais sem reproduzir relações de dominação, extrativismo ou apropriação cultural? Como podem tornar-se ferramentas para a preservação, a criação e a revitalização cultural dos povos originários e de outras comunidades portadoras de conhecimentos tradicionais na América Latina?
Este simpósio propõe refletir sobre as múltiplas formas em que as novas tecnologias participam hoje nos processos de preservação, transmissão, criação e revitalização dos saberes ancestrais na América Latina contemporânea. Mais do que considerar estas ferramentas como simples dispositivos técnicos, propõe-se analisá-las como espaços de mediação, diálogo e intercâmbio entre diferentes sistemas de conhecimento. A inteligência artificial, as plataformas digitais, os arquivos audiovisuais, as cartografias digitais, a realidade virtual, a realidade aumentada e as humanidades digitais abrem novas possibilidades para documentar, representar, experimentar, difundir e reinterpretar os saberes ancestrais, favorecendo novas formas de transmissão intergeracional, participação comunitária e representação cultural. Ao mesmo tempo, colocam importantes desafios relacionados com a soberania dos dados, a representação das comunidades, a propriedade intelectual coletiva, a proteção do património e os direitos culturais dos povos originários.
O simpósio convoca investigadores, artistas, cineastas, comunicadores, especialistas em património, profissionais das humanidades digitais e representantes de comunidades indígenas interessados em analisar estas transformações a partir de perspetivas interdisciplinares. Serão recebidas investigações académicas, projetos de investigação-criação, videoensaios, ensaios audiovisuais e propostas que articulem investigação, criação artística e novas tecnologias.
Do mesmo modo, o simpósio está aberto à apresentação de experiências desenvolvidas por artistas, coletivos, museus, centros culturais e organizações comunitárias que, em estreita colaboração com povos originários, explorem novas formas de criação, representação e transmissão dos saberes ancestrais através do uso de tecnologias digitais, inteligência artificial, realidade virtual, realidade aumentada e outros dispositivos imersivos. Serão especialmente valorizadas as iniciativas construídas a partir de metodologias participativas, do diálogo intercultural e do respeito pelos direitos culturais, pela soberania dos dados e pela propriedade intelectual coletiva das comunidades.
Proposta de eixos temáticos:
Inteligência artificial e saberes ancestrais: preservação, documentação e revitalização do património cultural.
Realidade virtual, realidade aumentada e tecnologias imersivas como novas formas de representação e transmissão dos conhecimentos tradicionais.
Humanidades digitais, arquivos audiovisuais e cartografias digitais e documentação e preservação do património.
Plataformas digitais, redes e comunidades indígenas: circulação e transmissão intergeracional de saberes.
Videoensaios, cinema, artes digitais e investigação-criação como formas de representação de saberes ancestrais.
Tecnologias digitais e inteligência artificial para a revitalização das línguas originárias.
Museus digitais, património vivo e experiências imersivas.
Ética, soberania digital, representação cultural e direitos coletivos.
Experiências colaborativas entre comunidades originárias, artistas, universidades, museus e centros de investigação.
Este simpósio procura constituir um espaço de diálogo interdisciplinar que reúna investigações, experiências artísticas e projetos colaborativos capazes de mostrar como as novas tecnologias podem contribuir para revitalizar os saberes ancestrais hoje.
