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JORNALISMO: VIGÊNCIA, TRANSFORMAÇÃO E PAPEL DEMOCRÁTICO

O mundo contemporâneo debate-se em múltiplas tensões, uma delas é quem e como se usa a informação. Isto provoca discussões sobre o papel do jornalismo, entendido como o garante da informação verdadeira que permite que a cidadania participe na construção da sociedade e da democracia.

Há poucos anos, o fenómeno da desinformação fez-se presente, pois a informação já não era um assunto exclusivo dos meios jornalísticos. Com o desenvolvimento da internet e de dispositivos e aplicações cada vez mais fáceis de usar, qualquer cidadão pode registar e enviar conteúdos que chegam em segundos a milhões de pessoas. Nem sempre existe dolo no envio, mas a falta de processos de verificação, contraste de fontes e de contexto pode influenciar a perceção de um tema em quem consome o conteúdo, que, na maioria dos casos, parte do pressuposto de que algo é verdade se estiver publicado na internet ou tiver sido partilhado por um líder ou alguém conhecido.

Existem também poderosas empresas dedicadas a distorcer a informação que chega aos cidadãos, com a intenção de influenciar as suas emoções e decisões. Isto é usado especialmente em campanhas políticas, em estratégias de desprestígio e por grupos negacionistas.

A isto deve somar-se o impacto que diversas tecnologias têm no jornalismo, entre elas a Inteligência Artificial. Por um lado, há alertas sobre os perigos que comporta o seu uso inadequado na criação de conteúdos, na solicitação de informação e na verificação de dados. Por outro, está o seu uso acelerado por parte dos jornalistas na elaboração dos seus relatórios.

Para os críticos, a IA mina a capacidade analítica e narrativa dos profissionais da informação e poderá, inclusive, substituí-los em funções ligadas à busca de dados, contraste de fontes, redação e edição. Os defensores do uso da IA, por sua vez, destacam a velocidade de processamento de dados e de redação da ferramenta, o que facilita a criação de conteúdos próximos e fáceis de digerir para utilizadores cada vez mais distantes dos formatos tradicionais. Asseguram, além disso, que o papel do jornalista não desaparecerá, mas transformar-se-á, como aconteceu com a chegada de cada nova tecnologia.

Nesta medida, no Simpósio cabem perguntas como: quem controla e controlará a informação? Quem determina o que se publica e o que não se publica? Como integrar a IA no jornalismo? Como regular o seu uso no jornalismo? Como se vivem as tensões entre algoritmos, sobrevivência e responsabilidade a partir do jornalismo e da comunicação? O jornalismo continua vigente numa sociedade infoxicada? Onde fica o acesso à informação como bem público? Como tem sido a transformação do jornalismo com as mudanças tecnológicas?

A mesa está aberta a investigadores de diferentes áreas do conhecimento que estejam a refletir sobre estas ou outras perguntas relacionadas com o tema, que tenham analisado experiências a partir da comunicação e|ou do jornalismo e interessados na relação jornalismo, poder e cidadania.

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