COMUNICAÇÃO E CIDADANIA: DISPUTAS, RESISTÊNCIAS E AÇÕES COLETIVAS
A mesa propõe abrir um espaço de reflexão crítica sobre as diversas formas em que a comunicação, a partir das Ciências Sociais, participa na construção, disputa e transformação do cidadão em contextos atravessados por desigualdades, violências, memórias em conflito e reconfigurações tecnológicas. Mais do que entender a cidadania unicamente como uma categoria jurídica ou institucional, esta mesa concebe-a como uma prática social, política, cultural e comunicativa que se produz na vida quotidiana, nos territórios, nas redes digitais, nos media comunitários, nas lutas pela memória e nas formas coletivas de imaginar outros futuros mais justos. Nesta perspetiva, interessa pensar a comunicação não apenas como transmissão de informação, mas como campo de poder, mediação, disputa simbólica e ação coletiva.
A mesa convoca trabalhos que analisem processos de ciberativismo, cidadania digital, comunicação em redes sociais e digitais, media comunitários, artivismo social e comunitário, jornalismo, poder e cidadania, bem como experiências ligadas à memória, à paz e aos direitos humanos. Procura-se reunir investigações que permitam compreender como diferentes atores sociais produzem narrativas, ocupam espaços públicos e digitais, interpelam discursos hegemónicos, denunciam violências e criam formas de contrapoder a partir da palavra, da imagem, do corpo, da tecnologia e da organização coletiva. Neste sentido, a comunicação surge como uma prática situada que permite dar visibilidade a experiências historicamente silenciadas, construir comunidade, sustentar memórias vivas e disputar os sentidos do público face a cenários de precarização, vigilância, desinformação, polarização e concentração mediática.
Convida-se a pensar os ambientes digitais como territórios complexos onde se articulam possibilidades de participação, denúncia e organização, mas também novas formas de controlo, exclusão algorítmica e sobrevivência comunicativa. Procura-se problematizar como os algoritmos, as plataformas e as redes digitais reconfiguram as formas de cidadania, ativismo, jornalismo e ação comunitária, bem como as estratégias que os sujeitos e coletivos constroem para resistir, narrar-se e existir em meio a estas condições.
Neste sentido, convoca-se a partilhar experiências que defendam a informação como um direito fundamental da cidadania, a qual circula tanto no digital como noutros formatos analógicos em que é assumida como um pilar da democracia. Sob estes pressupostos, a mesa insta a questionar o uso inadequado da informação e a sua incidência na sociedade, bem como a partilhar reflexões e experiências de espaços de resistência em que se mostrem outras formas de narrar, outros olhares e perspetivas que deem conta de diversas realidades, com as quais os cidadãos exercem a comunicação e a informação como um direito fundamental da democracia.
