Skip links

O SER HUMANO NA ERA DA ENGENHARIA GENÉTICA E DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

«Grande milagre, ó Asclépio, é o homem». Esta célebre sentença, atribuída a Hermes Trismegisto e imortalizada por Giovanni Pico della Mirandola no seu Discurso sobre a dignidade do homem (1486), parece hoje atravessada por interrogações radicais. Onde está atualmente o ser humano? Continuamos a ser a medida de todas as coisas? Durante séculos habitámos o relato confortável de uma espécie situada no centro do mundo, separada da natureza, acima dos animais, assistida pelos deuses e, mais recentemente, convertida em criadora soberana de máquinas. Esse vasto entramado de discursos filosóficos, teológicos, científicos e literários não só modelou a nossa autocompreensão, como também as nossas formas de vida e as nossas instituições. Este simpósio propõe uma indagação crítica sobre as condições históricas e concetuais que tornaram possível a figura do «ser humano» como entidade excecional. Será prestada especial atenção à dimensão antropotécnica da nossa espécie: o conjunto de práticas, saberes e dispositivos através dos quais o ser humano se produz, se disciplina e se reinventa a si mesmo. Num mundo atravessado por transformações ecológicas, tecnocientíficas e culturais de alcance sem precedentes, pensar hoje «o humano» exige aceitar que talvez já não saibamos com clareza o que designa esse nome. A engenharia genética, a inteligência artificial e as novas formas de hibridação entre organismos, dados e máquinas obrigam a reconsiderar os limites tradicionais entre natureza e técnica, corpo e artifício, inteligência e cálculo, vida e programação. Mais do que oferecer respostas definitivas, este simpósio procura abrir um espaço de reflexão interdisciplinar sobre as mutações contemporâneas da situação humana e sobre os imaginários que acompanham o futuro da nossa espécie.

YouTube
Instagram
Explore
Drag