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NEOCOLONIALISMO EPISTÉMICO E LINGUÍSTICO NOS ANDES: NOVAS FORMAS DE RESISTÊNCIA

O avassalamento das nossas línguas e culturas americanas começou com a chegada do homem europeu: diferentes ações, algumas extremamente violentas, provocaram lamentáveis etnocídios em toda a região, situação que não deve ser esquecida.
A partir do século XIX, com a conformação dos diferentes estados-nação e a redação das respetivas Constituições, começaram a surgir diversas manifestações a favor da língua espanhola, em detrimento da pluralidade linguística. Por detrás de intervenções presumivelmente reguladoras, escondia-se um velado glotocentrismo: impor a língua dos conquistadores. Nesse sentido, a superioridade do espanhol sobre as línguas americanas surgiu de consensos políticos e de ações opressoras.
No imaginário linguístico, as línguas indígenas estão desvalorizadas. No entanto, o trabalho de muitos linguistas permitiu o resgate, a difusão e a valorização de numerosas línguas americanas. Algumas não puderam ser estudadas e extinguiram-se definitivamente, gerando um grave prejuízo cultural, pois com cada língua perde-se uma visão do mundo.
Nas últimas décadas, os governos neoliberais, a globalização e as exigências do mercado levaram-nos a fixar o olhar em valores que empobrecem a condição humana, não sendo a diversidade cultural uma variável a ter em conta.
Neste quadro, entendemos por neocolonialismo a dependência económica, política, cultural, ideológica e até educativa de um país em relação a outro. Contudo, ao contrário do colonialismo tradicional, o neocolonialismo tem a particularidade de o país neocolonizado não estar fisicamente ocupado por forças do país dominante, tendo antes, pelo contrário, independência política de forma oficial. Ou seja, o conceito refere-se a uma nova forma de dominação de alguns países sobre outros.
O objetivo deste simpósio é abrir um espaço de reflexão coletiva, com preferência relativa aos Andes: a) sobre o neocolonialismo epistémico, particularmente nas ciências sociais, e a influência que exerce sobre as sociedades ou países subdesenvolvidos através dos centros de dominação económica, política e cultural; b) sobre o neocolonialismo linguístico, entendido como a persistência de relações de poder coloniais através do controlo, da hierarquização e da imposição de uma língua (ou de uma variante específica desta) sobre comunidades formalmente independentes, fenómeno que não se exerce por meio da força militar, mas sim através da gestão cultural, dos mercados educativos e da diplomacia branda das antigas metrópoles; c) pensar em conjunto, a partir dos diferentes trabalhos, sobre o tratamento das línguas e culturas originárias e como, a partir de diferentes práticas, se oferece resistência ao empobrecimento cultural e linguístico que esta nova forma de dominação impõe.
Se há algo que ajuda a renovar a convivência democrática são precisamente as redes solidárias, as práticas sociodiscursivas plurais, as ações favoráveis geradas por projetos políticos linguísticos, os espaços de diálogo entre as diversas representações etnoculturais. E é tudo isto que se pretende valorizar a partir deste simpósio, para se ter um olhar esperançoso, para além dos mandatos desumanizantes da realidade atual.

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