Skip links

MELHORIA DA SAÚDE MENTAL EM POPULAÇÕES CARACTERIZADAS PELA DIFICULDADE, ADVERSIDADE E VULNERABILIDADE

A saúde mental é um estado caracterizado pela capacidade de regular condições cognitivas, afetivas e sociais, permitindo a adaptabilidade e a resolução de necessidades exigidas em diferentes contextos. A capacidade de responder a estas exigências requer competências que implicam funcionalidade para aprender, memorizar e prestar atenção, além de capacidades para regular emoções, controlar a impulsividade e realizar frequentemente atos de consciência, inteligência, planeamento e flexibilidade.

Capacidades que são estruturadas durante a modelação do sistema nervoso central ocorrida no desenvolvimento, com a intervenção de fatores biológicos, neurológicos e ambientais. Esta modelação inicia-se na fecundação, mas a maior contundência na organização de competências apresenta-se na infância e adolescência, consequência da ação estimulativa do ambiente e do seu impacto no SNC, modelando respostas neurológicas e estruturando circuitos que automatizam comportamentos que beneficiam a adaptabilidade.

A estimulação com reforço positivo, assistência em alimentação, saúde, recreação, educação e afetividade aumenta a possibilidade de modelar competências cognitivas, afetivas e comportamentais positivas. Em contrapartida, ambientes com negligência, maus-tratos e falta de assistência na alimentação, reforço e apoio em processos educativos e familiares ampliam a vulnerabilidade e a possibilidade de modelar um SNC que se prepara para processar condições adversas, difíceis e stressantes de forma deficiente.

O impacto gerado pelos ambientes adversos é identificável desde a infância e adolescência, com expressões em problemas de aprendizagem e atenção, problemas emocionais de depressão e ideação suicida, ansiedade e de comportamento com ações impulsivas, explosivas, agressivas e dissociais, além de tendência para a adição e para a integração em grupos que promovem ações contra a humanidade. Na idade adulta, as problemáticas descrevem dificuldade na convivência laboral e familiar, com possibilidades de maus-tratos intrafamiliares e uso do castigo na criação dos filhos, além do desenvolvimento de hábitos pouco saudáveis, com alimentação inadequada, obesidade, sedentarismo e adições; e na velhice, fruto da irregularidade na regeneração de células e tecidos, aumentam as dificuldades com o envelhecimento patológico e as doenças crónicas de tipo metabólico (diabetes, hipertensão, obesidade) e neurodegenerativas (demência, Alzheimer).

Na América Latina existe uma elevada vulnerabilidade para problemas de adaptabilidade e deficiência na saúde mental, causada pela experimentação, na sociedade, de factos adversos como a desigualdade, a corrupção, o conflito, a pobreza e a dificuldade em alcançar, com dignidade, alimentação saudável, serviços públicos, educação, recreação e justiça, aumentando a vulnerabilidade para modelar sujeitos com condições egoístas, dissociais e afetação em processos cognitivos e comportamentais.

A melhoria das condições sociais e ambientais é uma utopia e tem ampliado a reflexão rumo à estruturação de linhas de investigação centradas na melhoria das condições de saúde mental e funcionalidade neuropsicológica em sujeitos que se desenvolvem em ambientes extremos, como a guerra e a pobreza extrema, e com a condicionalidade da gestão de estratégias ecológicas e emergentes da recursividade e possibilidade dos seus habitantes. É necessário abrir um espaço reflexivo para identificar as experiências bem-sucedidas com impacto na saúde mental dos nossos habitantes com fiabilidade e validade, permitindo estruturar protocolos para o seu acompanhamento e avaliação

YouTube
Instagram
Explore
Drag