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RACISMO E XENOFOBIA NO MÉXICO E NA COLÔMBIA NO SÉCULO XXI: PERSISTÊNCIAS E DESCONTINUIDADES

Neste simpósio refletiremos e analisaremos o que tem ocorrido, tanto no México como na Colômbia, ao longo do que vai do século XXI, no campo dos estudos académicos sobre o racismo e a xenofobia e sobre o combate contra estes dois perigosos sistemas de opressão que tanto marcaram a sua história e a sua realidade atual.
Embora a Colômbia e o México sejam países latino-americanos com um passado colonial dominado pela Coroa espanhola e com uma história moderna marcada pelo colonialismo interno, são distintas as modalidades da sua história tanto colonial como moderna. São diferentes os caminhos que adotaram as relações de poder e interétnicas, bem como as realidades da escravização das pessoas provenientes de África e dos afrodescendentes durante a Colónia. O modelo ideológico-cultural sobre o qual foi construída a comunidade nacional imaginada e a identidade nacional no México é distinto do da Colômbia, e tal contraste oferece uma oportunidade interessante para compreender as engrenagens políticas e culturais dentro das quais se concretizam o racismo e a xenofobia.
O papel da mestiçagem em cada um destes dois modelos também apresenta modalidades distintas, assim como tem sido distinto o peso do modelo político liberal em ambos os contextos. Também difere a composição atual da sua população indígena (4,7% na Colômbia, 20% no México) e afrodescendente (2,9% no México, 10% na Colômbia). Os percursos que os regimes políticos que governaram em cada um destes dois Estados-nação adotaram durante os séculos XX e XXI não foram os mesmos: num, o século XX está marcado pela marca da Revolução mexicana, e no outro pela hegemonia conservadora e a aliança entre elites; o que marca compromissos diferenciados com o projeto transversal da modernização.
Por outro lado, embora a Colômbia e o México tenham ingressado, no final do século XX, no território do multiculturalismo constitucional, a forma como navegaram por este universo não tem sido a mesma. Finalmente, embora a partir do início do século XXI o México tenha começado a entrar numa espiral de violência extrema provocada pela ligação entre o poder e o narcotráfico, a história da Colômbia neste sentido é mais longa, e um dos seus componentes nada menores são os grupos paramilitares e as guerrilhas.
Por tudo isto, parece-nos que o início do segundo quartel do século XXI é um bom momento para estabelecer um diálogo binacional em torno das persistências e descontinuidades que tiveram lugar, entre 2000 e 2025, no terreno do estudo, da análise e do combate contra o racismo e a xenofobia nestes dois países. Estamos convencidos de que este diálogo será muito frutífero.

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