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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, CONHECIMENTO E RESPONSABILIDADE PÚBLICA NAS AMÉRICAS: DESAFIOS ÉTICOS, EDUCATIVOS E SOCIOCULTURAIS

A expansão da inteligência artificial nas sociedades americanas coloca desafios que transcendem o técnico e afetam diretamente as formas de produzir, validar, fazer circular e apropriar socialmente o conhecimento. Os sistemas algorítmicos intervêm hoje na investigação académica, no ensino superior, na escrita, na busca de informação, na mediação cultural, na comunicação pública e na tomada de decisões institucionais. Convém, por isso, examinar criticamente como a IA reconfigura as relações entre saber, poder, memória, democracia e responsabilidade pública na América Latina e nas Américas.
Este simpósio propõe um espaço interdisciplinar para analisar os efeitos éticos, educativos, sociopolíticos e culturais da inteligência artificial nos processos de conhecimento. O seu propósito é reunir investigações que permitam compreender como as tecnologias algorítmicas transformam as práticas académicas, as instituições educativas, as formas de autoridade epistémica, os critérios de legitimidade pública e as condições de acesso, circulação e apropriação da informação. O interesse não se esgota no uso instrumental da IA como apoio ao ensino, à investigação ou à comunicação: procura interrogar as condições culturais, normativas e políticas sob as quais estas tecnologias são concebidas, implementadas, reguladas e adotadas em contextos marcados por desigualdades históricas, fossos digitais e disputas pelo conhecimento.
Serão recebidas comunicações sobre IA generativa e ensino superior; ética da investigação assistida por IA; literacia crítica e cidadania digital; enviesamentos algorítmicos na produção e classificação de informação; transformações da autoridade académica e científica; governação institucional da IA; direitos humanos, privacidade e uso de dados em ambientes educativos e investigativos; desinformação, esfera pública e mediação algorítmica; e tensões entre saberes locais, memória cultural, inovação tecnológica e justiça epistémica.
No horizonte do 59.º Congresso Internacional de Americanistas, o simpósio dialoga com os eixos de tradição e inovação e com a reflexão sobre as memórias das Américas. Em sociedades culturalmente plurais e profundamente desiguais, a inteligência artificial não pode pensar-se apenas como ferramenta de eficiência: deve também examinar-se como uma tecnologia que redistribui capacidades de interpretação, classificação, visibilidade e decisão. A pergunta central não é apenas o que estes sistemas podem fazer, mas que formas de conhecimento, autoridade, cidadania e memória estamos a configurar ao adotá-los.
O contributo do simpósio será oferecer uma leitura crítica, situada e propositiva dos desafios éticos e políticos da IA nos processos de conhecimento, com especial atenção a perspetivas latino-americanas e comparadas. Espera-se convocar investigadores de diferentes disciplinas, filiações e regiões, interessados em pensar a inovação tecnológica a partir de critérios de responsabilidade pública, justiça epistémica e sustentabilidade democrática.

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