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IMPROVISAR COMO PRÁTICA CRÍTICA

Num mundo que concebe a planificação (composição, prevenção…) como ideal de ação e realização, tanto no campo das ciências como das artes, a improvisação tende a ser pensada como última ratio: última medida extrema a que se recorre quando todas as opções ou instâncias anteriores falharam ou são insuficientes. Neste contexto, escolher improvisar torna-se uma prática crítica, que reivindica noções e ações que vão a contrapelo da ordem estabelecida: «erro», espontaneidade, negociação durante o processo criador, fenómenos emergentes não planificados ou planificáveis, ações, interações e processos de produção surpreendentes, geração e transformação de materiais, atitude acessível à (inter)troca, finais ou resultados abertos e fortuitos…
No entanto, isto mesmo demonstra, em sentido inverso, o impressionante potencial da atitude e das práticas improvisatórias. A improvisação não só desconstrói racionalidades, planificações, resultados, atitudes idealizadas, como também nos (de)mostra que sempre esteve ali, sem ter sido nomeada e apreciada no seu potencial construtivo, mas também crítico e desmistificador.
É este potencial crítico do improvisar que desejamos convidar a rastrear, discutir, investigar, mostrar, experimentar neste simpósio interdisciplinar com investigadores|as e artistas interessados|as.
O contexto latino-americano e este congresso em especial parecem-nos uma boa possibilidade de ligação entre quem se dedica à improvisação a partir de diferentes perspetivas (prática musical ou noutras disciplinas, ensino em diferentes níveis, investigação, etc.): existirão práticas ou perspetivas de improvisação específicas da América Latina?

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