AS ARTES INDÍGENAS EM MUSEUS E OUTRAS INSTITUIÇÕES DE ARTE: INVESTIGAÇÃO, RECOLHA, CURADORIA E GOVERNAÇÃO
O surgimento do americanismo coincide com o estabelecimento de uma série de museus científicos na segunda metade do século XIX e com a recolha de milhões de artefactos das nações indígenas das Américas. Os paradigmas teóricos e metodológicos que guiaram a formação e o estudo destas coleções ao longo dos últimos 150 anos tornaram-se, na sua maioria, obsoletos; as coleções, porém, não. Desde a década de 1970, o alargamento, aprofundamento e renovação das questões relativas aos significados e à importância destas coleções transformaram os paradigmas museológicos, culminando mais recentemente na criação de numerosos museus pelas próprias nações indígenas. Este simpósio convida contributos que explorem novas formas –indígenas, não indígenas e híbridas|colaborativas– de investigar, recolher, curar e expor as artes ameríndias. Interessa-nos discutir (1) os modos específicos de governação dentro dos museus indígenas e as suas implicações para a interpretação da arte|cultura material e o diálogo intercultural, (2) a participação direta de investigadores ameríndios em projetos curatoriais em museus não indígenas e vice-versa, e (3) a presença de artistas ameríndios em Bienais, feiras de arte, galerias comerciais e outras instituições de arte nas Américas e noutros lugares.
