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ECOSSISTEMAS DE CUIDADO PARA FUTUROS REGENERATIVOS: RESPOSTAS SOCIAIS E COMUNITÁRIAS À TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA E AOS DESAFIOS DO CUIDADO

As transformações demográficas, sociais e ambientais estão a modificar profundamente as formas como as sociedades produzem, distribuem e sustentam o cuidado. O aumento da longevidade, o incremento das doenças crónicas e da fragilidade, juntamente com as transformações familiares, a urbanização, a migração, as mudanças laborais e o incremento das desigualdades sociais, têm enfraquecido os mecanismos tradicionais de provisão de cuidados, configurando uma crise global do cuidado. Este cenário coloca desafios aos governos, aos sistemas de saúde e proteção social, às comunidades e às pessoas que necessitam de cuidados. Perante isto, o desenvolvimento regenerativo propõe superar uma visão centrada exclusivamente na sustentabilidade e na redução de impactos, orientando ações para a regeneração dos sistemas sociais e ecológicos que sustentam a vida.
Nas últimas décadas, diversas correntes teóricas têm contribuído para situar o cuidado como um elemento central para a sustentabilidade da vida. A ética do cuidado entende-o como uma atividade orientada para manter, reparar e sustentar o mundo partilhado, enquanto outras perspetivas destacam o seu carácter moral e político, baseado na interdependência e na responsabilidade coletiva. Na lógica do cuidado, este deixa de ser uma resposta padronizada para se tornar um processo prático, relacional e contínuo, no qual pessoas cuidadoras e quem recebe cuidados constroem em conjunto soluções adaptadas a contextos em mudança. Por sua vez, o Care Collective coloca a necessidade de avançar para um cuidado universal através de infraestruturas partilhadas e espaços públicos que fortaleçam o apoio mútuo em todos os níveis da sociedade.
A partir deste diálogo concetual, o simpósio propõe o conceito de ecossistemas de cuidado como quadro integrador para compreender as relações, recursos, políticas, instituições e práticas que tornam possível a provisão e sustentabilidade do cuidado nos territórios. Inspirando-se na perspetiva ecológica do desenvolvimento humano, esta abordagem concebe o cuidado como uma infraestrutura social formada por redes interdependentes de atores, ambientes e instituições que interagem desde os microssistemas até aos macrossistemas. Isto permite analisar como a articulação intersetorial, a participação comunitária e a governação colaborativa fortalecem a capacidade dos territórios para cuidar.
Diversas iniciativas da última década ilustram esta transformação: os sistemas integrais de cuidado, as cidades e territórios cuidadores, as estratégias de saúde comunitária e as comunidades compassivas. Embora surgidas em contextos distintos, todas promovem a corresponsabilidade social, mobilizando escolas, locais de trabalho, organizações comunitárias, instituições religiosas e vizinhanças, etc., para ampliar as capacidades coletivas de cuidado para além dos serviços sanitários convencionais.
O simpósio reunirá investigadores, responsáveis por políticas públicas, profissionais de saúde, líderes comunitários e atores territoriais para analisar como estas abordagens podem contribuir para enfrentar a crise global do cuidado e construir sociedades mais equitativas, resilientes e regenerativas. Propõe-se trocar experiências desenvolvidas na América Latina e discutir políticas e inovações para fortalecer os ecossistemas de cuidado a partir de uma perspetiva intersetorial, contribuindo para o debate sobre os futuros regenerativos através do reconhecimento do cuidado como um bem comum e uma infraestrutura essencial para o bem-estar coletivo.

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