Skip links

ECOLOGIAS DA DESIGUALDADE E NATUREZAS EM DISPUTA: MEMÓRIAS TERRITORIAIS, GUERRAS VERDES E A GOVERNAÇÃO CLIMÁTICA NA AMÉRICA CENTRAL E NAS CARAÍBAS.

As crises climáticas contemporâneas constituem um dos principais cenários onde convergem as memórias históricas, as relações de poder e as disputas pelo futuro das Américas. Para além de uma problemática ambiental, as alterações climáticas evidenciam a persistência de desigualdades originadas na Modernidade|Colonialidade, cujas expressões atuais se manifestam em novas formas de governação da natureza, políticas de conservação, transições energéticas e estratégias de segurança climática. Na América Central e nas Caraíbas, estas dinâmicas reconfiguram as relações entre Estados, mercados, comunidades e organismos internacionais, reproduzindo frequentemente antigas hierarquias coloniais sob discursos de sustentabilidade, resiliência e inovação.
Em consonância com o lema do 59.º Congresso Internacional de Americanistas, Tradição e inovação: as memórias das Américas, este simpósio propõe refletir sobre como as memórias do colonialismo, do extrativismo, do racismo ambiental e das lutas pelo território continuam a moldar as respostas face à crise climática. Partimos da premissa de que tradição e inovação não são categorias opostas, mas processos complementares que permitem às sociedades enfrentar os desafios do presente. Nesta perspetiva, as memórias territoriais e os conhecimentos ecológicos locais constituem não só um património cultural, mas também recursos políticos e epistemológicos para construir formas mais justas e inclusivas de governação ambiental.
O simpósio convoca investigações antropológicas e interdisciplinares que analisem as interseções entre alterações climáticas, justiça ambiental, Modernidade|Colonialidade e governação da natureza a partir de perspetivas históricas, etnográficas, comparativas e decoloniais. Procura-se promover um diálogo que transcenda as explicações tecnocráticas para examinar como as agendas climáticas globais interagem com desigualdades de classe, género, raça, etnicidade, geração, deficiência e territorialidade, bem como com processos históricos de despojo, deslocamento, militarização, securitização dos recursos naturais e criminalização de pessoas e comunidades defensoras do ambiente.
Do mesmo modo, o simpósio convida a debater as denominadas «guerras verdes» como expressão de conflitos socioambientais ligados a projetos extrativos, infraestruturas energéticas, economias de carbono, áreas protegidas e outros mecanismos de conservação que, em determinadas circunstâncias, aprofundam a exclusão e a precarização territorial. Procura-se também destacar as respostas construídas por povos indígenas, afrodescendentes, comunidades camponesas, pesqueiras e urbanas através de práticas de resistência, regeneração ecológica, defesa do território e revitalização de conhecimentos ancestrais.
Serão recebidos contributos sobre justiça hídrica, migrações induzidas pelas alterações climáticas, saúde e bem-estar, racialização e feminização das políticas ambientais, transição energética, dívida ecológica, governação dos bens comuns, políticas de conservação, tecnologias para a gestão ambiental e experiências locais de adaptação, resiliência e inovação comunitária.
Ao situar o diálogo entre tradição e inovação no centro da reflexão antropológica, este simpósio procura contribuir para uma compreensão crítica de como as memórias das Américas continuam a configurar as respostas face à crise climática. Deste modo, articula-se com os três eixos do Congresso –Tecnologias: poder, cultura e sociedade; Territórios, regeneração e alterações climáticas; e Passado sempre presente– promovendo um diálogo interdisciplinar que fortaleça perspetivas decoloniais, interseccionais e territorialmente situadas para imaginar futuros ambientalmente sustentáveis, democráticos e socialmente justos para a América Central, as Caraíbas e as Américas.

YouTube
Instagram
Explore
Drag