DISCUSSÕES EM TORNO DA FORMA DE RECORDAR OS ANTEPASSADOS NA AMÉRICA LATINA.
O presente simpósio tem como finalidade propiciar um espaço de intercâmbio e discussão em torno das diversas formas de recordar os antepassados em diferentes regiões da América Latina. A partir de uma perspetiva interdisciplinar, procura-se refletir sobre a pluralidade de práticas e representações que os povos da América do Sul construíram em relação com a morte e a memória dos seus defuntos.
Há mais de quatro séculos, os povos indígenas da América Latina têm reconfigurado as suas formas de comemorar os mortos como resultado de complexos processos históricos de transformação e interação cultural. Ao longo do continente, numerosas comunidades recebem e convivem simbolicamente com as almas dos seus antepassados através de rituais, oferendas, alimentos, música e outras expressões que fortalecem os vínculos entre o mundo dos vivos e o dos mortos. A comemoração dos defuntos constitui uma das práticas rituais mais difundidas ao longo do continente. Embora em muitos lugares se celebre a 2 de novembro, cada povo desenvolveu formas particulares de entender e experimentar o retorno dos antepassados, dotando esta data de significados próprios que refletem as suas conceções sobre a morte, a memória, o parentesco e a relação com a vida comunitária. Na forma como se recorda os antepassados intervêm aspetos ligados a laços de reciprocidade fortemente enraizados nas relações sociais dos grupos originários, que não se encontram apenas no espaço rural, mas se ressignificam em contextos urbanos através das mobilidades e migrações.
É por isso que o presente simpósio tem como objetivo propiciar o intercâmbio de diversas perspetivas sobre as formas de recordar os antepassados ao longo do continente americano. Do mesmo modo, examinar o impacto das mobilidades humanas, a circulação de objetos durante os rituais fúnebres. Deste modo, pretende-se refletir sobre as práticas rituais e a sua adaptação em contextos de globalização, evidenciando tanto processos de continuidade e resistência cultural como a emergência de novas formas de relação com os antepassados e a memória coletiva.
Somamos também os debates em torno dos modos como se considera a restituição de corpos objeto de despojos ou traslados forçados, realizados em contextos de investigações científicas ou de amadores|colecionadores. Interessa-nos reunir trabalhos que debatam o impacto que as restituições têm no interior das comunidades, o debate sobre a forma como devem ser realizadas as restituições, considerando quem e como se realizam os rituais, além do contexto de produção de práticas e sentidos em torno das restituições.
