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DISCURSOS, MATERIALIDADES E JUSTIÇA ESPACIAL CONTEMPORÂNEOS NA ARQUITETURA, NO URBANISMO E NA PAISAGEM DAS AMÉRICAS

O desafio de refletir sobre tradição e inovação no contexto das Américas, territórios marcados por transformações tecnológicas, crises ambientais e profundas desigualdades sociais, implica questionar o papel das disciplinas projetuais como a arquitetura, o urbanismo e o Design de Paisagem no século XXI. Esta mesa propõe construir um quadro de referência sobre os processos recentes de produção de conhecimento inerentes a estas disciplinas, considerando os discursos críticos, as novas realidades ambientais-materiais e a justiça espacial como dimensões inter-relacionadas a partir das quais se abrem caminhos para o posicionamento profissional e o significado de habitar as Américas no mundo contemporâneo.

Discursos
Os projetos arquitetónicos, urbanos e de paisagem não se limitam à representação técnica; constituem formas de discurso que configuram visões do mundo, impulsionam transformações sociais e exprimem posicionamentos perante a vida. Neste sentido, o projeto pode entender-se como um dispositivo simbólico que se interpreta e circula através de múltiplas técnicas e suportes.
Se bem que ferramentas como plantas e imagens renderizadas continuem a ser fundamentais, a escrita, os relatos, a fotografia e outras linguagens culturais ampliam o campo discursivo. Estes meios permitem ativar dimensões críticas e especulativas, mesmo quando as lógicas institucionais tendem a neutralizar conteúdos.
A arquitetura, o urbanismo e a paisagem situam-se, então, como práticas culturais ativas, em negociação entre intenção, representação e receção. Esta secção convida a refletir sobre os discursos como construção de significado, capazes de narrar o presente e projetar imaginários futuros para as Américas.

Materialidades
No contexto da aceleração tecnológica e da urgência ambiental, estas disciplinas enfrentam transformações profundas nos seus modos de produção. As tecnologias digitais e as exigências de sustentabilidade redefinem as possibilidades materiais do projeto e colocam novas questões sobre os assentamentos humanos.
A instrumentalização profissional, impulsionada pela padronização global, contrasta com a necessidade de reconhecer a diversidade cultural e territorial. Neste cenário, a sustentabilidade e a mediação humana são fundamentais para orientar decisões éticas: priorizar necessidades, pensar o habitar e definir o mundo que se deseja construir.
As materialidades podem abordar-se a partir de duas noções: o material como recurso construtivo e a materialidade como experiência cultural e sensorial que liga as pessoas ao seu ambiente. Esta dimensão relacional é central para uma arquitetura centrada em processos, ciclos e vínculos com ecossistemas e comunidades. Convida-se a trabalhos que explorem relações entre técnica, sustentabilidade, cultura material e experimentação projetual, tendo em conta condições locais e desafios globais.

Justiça espacial
A justiça espacial permite repensar o papel destas disciplinas perante as desigualdades territoriais e a crise climática. As comunidades deixam de ser apenas utilizadoras para se reconhecerem como agentes ativos na produção do espaço.
Cada vez mais as práticas espaciais incorporam abordagens participativas e situadas que respondem a problemáticas como a informalidade ou a vulnerabilidade ambiental. Estas ações procuram resolver necessidades imediatas e fortalecer capacidades comunitárias e a sustentabilidade social.
Convocam-se trabalhos sobre conflitos e desigualdades territoriais, bem como estratégias e políticas que contribuam para uma distribuição mais equitativa dos recursos espaciais, articulando saberes técnicos e locais para promover um habitar mais inclusivo.

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