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DESIGN PARA QUEM? PERTINÊNCIA, TERRITÓRIO E AÇÃO COLETIVA NAS AMÉRICAS

Para quem desenham as disciplinas do design nas Américas? Quem define o que é pertinente num projeto de arquitetura, um produto industrial, um sistema de comunicação visual, uma peça de vestuário, uma interface digital? Estas perguntas, que parecem óbvias, revelam uma fratura profunda entre as culturas do design e os territórios que dizem servir. Enquanto as disciplinas projetuais — arquitetura, design industrial, design gráfico, design de vestuário e têxtil, design de interação, urbanismo — continuam a operar segundo lógicas de autoria individual e validação disciplinar, os territórios americanos atravessam transições urgentes: risco geomorfológico crescente, défice habitacional estrutural, pressão extrativista, gentrificação, perda de patrimónios materiais e imateriais, e reconfiguração acelerada das economias locais.
Ao mesmo tempo, nas margens da prática profissional convencional, estão a emergir formas de design situado que produzem impacto real: comunidades indígenas que codificam saberes construtivos e têxteis ancestrais em novas cadeias de valor, cooperativas de produção que reinventam a relação entre artesanato e tecnologia, coletivos urbanos que co-desenham o espaço público com governos locais, e organizações de base que geram inovação pertinente sem esperar validação académica. Estas experiências não são exceções anedóticas: são sinais de uma transição em curso sobre o que significa projetar, com quem e para quê.

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