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CONSERVADORISMO, HISPANIDADE E INDIGENISMO: DISPUTAS IDEOLÓGICAS EM TORNO DA NAÇÃO, DA MESTIÇAGEM E DOS POVOS INDÍGENAS

Conservadorismo, hispanidade e indigenismo: disputas ideológicas em torno da nação, da mestiçagem e dos povos indígenas.

Esta mesa propõe analisar as relações históricas, políticas e culturais entre conservadorismo e indigenismo no mundo hispano-americano, com especial atenção aos casos de Espanha e do México. O ponto de partida é a consideração do conservadorismo como uma matriz ideológica decisiva na construção de projetos nacionais, hierarquias sociais e identidades coletivas ao longo do século XX e parte do XXI. Nesta perspetiva, interessa estudar de que modo determinadas formulações conservadoras elaboraram discursos de integração nacional que, sob a exaltação da mestiçagem, da hispanidade ou da tradição, puderam ocultar formas mais ou menos explícitas de exclusão, racismo cultural ou subordinação dos povos indígenas.

A mesa propõe um percurso histórico e intelectual que permita examinar a formação da ideia de hispanidade em autores como Miguel de Unamuno, Zacarías de Vizcarra e Ramiro de Maeztu. Em particular, atender-se-á à dimensão ecuménica deste pensamento, entendido como tentativa de construir uma comunidade imaginada transatlântica integrada por espanhóis, crioulos, afrodescendentes e povos indígenas. Esta visão, contudo, surge associada a uma “lenda cor-de-rosa” do Império espanhol, orientada para suavizar os efeitos sociais, culturais e políticos da conquista e da colonização.

No caso mexicano, a mesa abordará a receção e reelaboração destes imaginários através de discursos conservadores que exaltaram a mestiçagem com predomínio do elemento espanhol, reivindicaram a época colonial e formularam mitos fundacionais da nação a partir de chaves antiindigenistas e anticomunistas. Figuras como José Vasconcelos, Alfonso Junco, Manuel Gómez Morín, José Elguero, Jesús Guisa y Acevedo, Manuel Romero de Terreros ou Vito Alessio Robles permitem estudar a articulação entre pensamento histórico, política cultural, instituições académicas e projetos partidários, especialmente em torno do PAN, da Academia Mexicana de História e da UNAM.

A proposta procura também abrir o debate para o presente, marcado pelo ressurgimento de discursos neorrevisionistas que, a partir das redes sociais, dos espaços mediáticos e dos fóruns contra o progressismo latino-americano, reativam a oposição entre indigenismo e conservadorismo. Esta deslocação, dos grandes pensadores para os propagandistas contemporâneos, convida a refletir sobre as novas formas de circulação de imaginários históricos e disputas identitárias.

Por fim, a mesa aspira a reunir investigações provenientes da história intelectual, da antropologia cultural, da história política e dos estudos sobre nação, memória e identidade. Serão especialmente valorizados trabalhos sobre sistemas normativos, usos e costumes, cosmovisões indígenas, religiosidades, políticas indigenistas, indianismo, autonomia e crise do indigenismo estatal. O objetivo geral é discutir de que forma as categorias de hispanidade, mestiçagem, indigenismo e conservadorismo serviram tanto para integrar como para excluir, tanto para imaginar comunidades nacionais como para disputar o lugar político e simbólico dos povos indígenas na América Latina.

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