CATOLICISMO INTERCULTURAL NA AMÉRICA LATINA
O catolicismo intercultural é a forma particular como se manifestou o fenómeno religioso na América Latina; na interação entre a estrutura social e o sistema de valores, atitudes, mentalidades e significados. Entre as instituições vigentes do catolicismo temos a diocese. Nem todas as dioceses apresentam a mesma evolução histórica, embora tenham elementos comuns; porque adotam uma identidade própria como rede social e cultural, para além das vivências individuais e grupais.
Interpretar as metonímias religiosas implica desvendar as analogias do catolicismo cultural na sua narrativa, textual e ritual; na sua heterogeneidade cultural, unidade territorial e história partilhada. O catolicismo constitui um macrossistema cultural e social diferenciado, com unidades estruturadas de forma variável em relação ao tempo, que se mantêm perante um ambiente complexo e mutável; que abrange o processo em que as culturas se constituem como tais, se distinguem entre si e simultaneamente se comunicam. A diversidade cultural é uma constante na história da humanidade, que parece ter sido mantida e reforçada como uma forma de afirmar a identidade do grupo por diferenciação face aos outros.
O conceito de interculturalidade abrange o processo em que as culturas se constituem como tais, se diferenciam entre si e simultaneamente se comunicam; especialmente na educação, como parte da globalização cultural. Todo o sistema religioso tem cinco dimensões inter-relacionadas: crenças, ritos, organização, normas éticas e sentimentos peculiares. Manuel Marzal SJ propõe que: «uma crença é uma proposição que afirma como real a existência de um ser superior invisível (como “creio em Deus”) ou de um acontecimento do qual não há evidência imediata (como “creio que Deus é autor do universo”). Um rito é um ato simbólico através do qual os crentes tentam comunicar-se com os seres superiores, como a prece ou o ato penitencial. A organização é a estrutura social da comunidade religiosa, onde há distintos papéis, como sacerdotes, xamãs e fiéis, e distintos grupos, como as confrarias ou as comunidades de base. A ética é um conjunto de normas, cujo cumprimento é exigido pelas crenças que se têm, e assim muitas religiões dão valor religioso às normas de ética natural, como não matar, ou impõem novas normas, como não consumir bebidas alcoólicas. Os sentimentos são emoções, mais ou menos institucionalizadas, que costumam ter os crentes como fruto das suas crenças, como o sentimento de confiança nos deuses ou como a alegria e até o pranto durante a celebração dos ritos».
A metáfora é intrínseca à religião. O sistema religioso é metafórico, assim como a mensagem religiosa, por analogia, constrói novos significados em diferentes contextos, expressando a verdade até ao limite do nosso conhecimento. Tanto a capacidade de metáfora como de metonímia que a religião proporciona aos nossos sentimentos e às nossas mensagens faladas e escritas.
Na definição de Geertz, a religião é um sistema de símbolos que atua para estabelecer vigorosos, penetrantes e duradouros estados de espírito e motivações nos homens, formulando conceções de uma ordem geral de existência.
