Skip links

ANTROPOMÁTICA E CIVILIZAÇÃO ALGORÍTMICA: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, MEMÓRIA SOCIAL E FUTUROS INTERCULTURAIS NAS AMÉRICAS

A mesa propõe discutir a antropomática como um campo emergente para analisar criticamente o vínculo humano-máquina nas Américas. Num contexto marcado pela expansão acelerada da inteligência artificial, dos algoritmos conversacionais, da automatização institucional e das tecnologias de mediação cultural, é insuficiente reduzir o debate à eficiência técnica, à inovação empresarial ou à simples incorporação de plataformas digitais. A antropomática desloca a pergunta rumo às condições humanas, culturais, éticas, educativas, linguísticas e políticas da convivência com sistemas artificiais.

Nesta perspetiva, a mesa procura abrir uma discussão americanista sobre as formas como a inteligência artificial participa na produção de memória, linguagem, conhecimento, subjetividade, autoridade e vida social. Interessa especialmente analisar como os sistemas algorítmicos reconfiguram práticas culturais, processos educativos, formas de comunicação, relações interculturais e modos de transmissão do saber. A mesa também atenderá aos riscos de homogeneização cultural, extrativismo de dados, dependência tecnológica, deslocamento de saberes locais e novas formas de colonialidade epistémica.

O diálogo organizar-se-á em torno de três eixos. O primeiro aborda a relação entre inteligência artificial, memória social e produção cultural na América Latina e nas Caraíbas. O segundo examina os usos possíveis de tecnologias inteligentes em contextos educativos, comunitários e interculturais, particularmente quando envolvem línguas originárias, oralidade, saberes territoriais e processos de formação. O terceiro coloca critérios éticos, metodológicos e políticos para pensar tecnologias situadas, socialmente responsáveis e culturalmente pertinentes.

A mesa não pretende celebrar acriticamente a inovação tecnológica nem rejeitá-la a partir de uma posição tecnofóbica. O seu propósito é construir uma reflexão situada sobre as condições sob as quais a inteligência artificial pode contribuir para processos de justiça epistémica, soberania tecnológica, preservação de memórias coletivas e fortalecimento de comunidades diversas. Nesse sentido, a antropomática apresenta-se como uma perspetiva de análise que permite ligar tradição e inovação, memória e futuro, técnica e cultura, a partir dos desafios contemporâneos das Américas.

A discussão convocará especialistas em antropologia, educação, filosofia, tecnologias digitais, inteligência artificial, interculturalidade e estudos latino-americanos, com o fim de propor uma agenda crítica sobre a civilização algorítmica e as suas implicações para a vida social, cultural e educativa do continente.

YouTube
Instagram
Explore
Drag