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OS INCAS – O PASSADO SEMPRE PRESENTE

Esta sessão propõe uma reavaliação crítica das cronologias e narrativas dominantes sobre a sociedade inca, a partir da premissa de que o passado constitui um espaço de debate e reflexão permanente onde se articulam conhecimento, poder e memória. No âmbito do eixo «Passado sempre presente», propõe-se que as cronologias constituem infraestruturas epistemológicas que sustentaram modelos historiográficos hegemónicos, muitos deles ainda ancorados em esquemas herdados, os quais exigem uma revisão profunda.

Neste contexto, os recentes avanços na datação radiocarbónica e na modelação cronológica contribuem para refinar as sequências temporais e rever criticamente interpretações consolidadas sobre os processos de expansão, articulação territorial e organização política do Tawantinsuyu. Em particular, estas ferramentas permitem problematizar a linearidade dos processos imperiais, questionar os pressupostos de sincronia entre diferentes regiões e dar visibilidade a dinâmicas locais de negociação, adaptação e resistência que complexificam as narrativas tradicionais sobre os processos de dominação inca.

Em diálogo com os eixos «Tecnologias, regeneração e sociedade» e «Territórios, poder, cultura e alterações climáticas», a sessão examina criticamente o papel das tecnologias analíticas na produção do conhecimento arqueológico, enfatizando que tais tecnologias não são neutras nem meramente instrumentais, mas intervêm ativamente na reconfiguração dos relatos históricos e na legitimação de determinadas temporalidades e escalas de análise acima de outras. Do mesmo modo, serão abordadas as relações entre território, infraestrutura imperial e controlo sociopolítico, bem como as diversas respostas locais face a processos de dominação e reconfiguração da paisagem.

Finalmente, a sessão situa estas discussões no presente, destacando como o passado inca continua a ser mobilizado, reinterpretado e disputado em contextos contemporâneos marcados por conflitos em torno do património, da identidade, do território e das alterações climáticas. Nesse sentido, convoca-se a apresentar contributos que, a partir de perspetivas arqueológicas, históricas e antropológicas, forneçam novos dados e questionem explicitamente os quadros interpretativos estabelecidos, explorando as implicações políticas, concetuais e epistemológicas de reconstruir o passado andino na atualidade.

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