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ANTROPOLOGIA DAS «PERIFERIAS EXTRATIVAS»: ESTUDOS DE CASO DE LONGA DURAÇÃO

As chamadas periferias extrativas são zonas de exploração intensiva de recursos naturais criadas e mantidas por um dispositivo ideológico de oposição entre civilização-natureza e centro-margem (posteriormente, desenvolvido-subdesenvolvido). Estes territórios, objetos de usufruto, recortes de espaços geográficos e sociais de pertença mais gerais, constituem uma das condições de possibilidade do capitalismo extrativo, tanto pelas suas riquezas intrínsecas como porque a sua marginalização criativa permite transformá-los em zonas de sacrifício. São lugares ocupados –em vários sentidos– e transformados –em diferentes escalas– por atores, tecnologias e espécies não humanas –locais ou atraídos em massa– com uma presença que muitas vezes antecede a própria ideação do processo extrativo. Estas «periferias» estão, por isso, dotadas de uma centralidade e historicidade que imprimem características nativas e moldam as histórias latino-americanas do capitalismo global.
A implementação do extrativismo nos nossos países tem temporalidades díspares, mas está sempre ligada a projetos «civilizatórios» que preparam e justificam a complexa relação entre capital e zonas de produção, extração, circulação e exportação de commodities. O seu impacto tem consequências que moldam a realidade atual e que são ponderadas de forma ambivalente consoante os interesses e disposições dos agentes envolvidos. Estes emplazamentos e percursos particulares podem ser abordados através de estudos de caso que –partindo de papéis e perspetivas específicas– realcem a particularidade de diferentes cenários, mostrando a sua modalidade de integração nas dinâmicas nacionais e transnacionais com orientações económicas, sociais, políticas e culturais de todo o tipo e a diferentes níveis. Torna-se aí necessária uma antropologia de contextos extrativistas com abordagem de longa duração que, enquanto ciência social crítica, possa tomar posição com base na compreensão primeiro das múltiplas e frequentemente contraditórias situações em jogo.
As comunicações devem tratar estudos de caso e, embora possam ter qualquer quadro espácio-temporal, devem contar com um olhar histórico que permita analisar o desenvolvimento da problemática exposta. Incentivam-se sistemas de explicação sobre os nexos existentes entre as atividades e estratégias dos diversos agentes da estrutura de dominação no âmbito das diferentes e sucessivas políticas estatais no contexto da expansão do capitalismo global. Sugerimos tratar, embora não exclusivamente:
Ações e projetos dos poderes locais e centrais em relação à sua inserção nos mercados macrorregionais.
Abordagens de conflitos e disputas: formas de expressão, mecanismos de controlo e|ou regulação e estratégias de negociação.
Modalidades de participação da população subalterna e dos estratos dominantes, incluindo processos de hibridação social e papéis mesclados.
Inclusão e articulação de objetos e espécies não humanas no desenvolvimento de processos e conjunturas técnicas, económicas, políticas e ambientais.
Incentivam-se abordagens que relacionem diferentes escalas espaciais e temporais para compreender o desenvolvimento de processos e conjunturas técnicas, económicas, políticas e ambientais em territórios historicamente atravessados por dinâmicas extrativas com fortes implicações no presente das nossas comunidades.

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