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A FORMAÇÃO E OS SEUS DISCURSOS NA CONSTRUÇÃO DA EDUCAÇÃO LATINO-AMERICANA

O discurso, em relação à sua função primigénia, a comunicação e a interação, não é apenas uma ferramenta de construção de intersubjetividades e identidades, mas um processo situado que descreve compreensões, interpretações e práticas. Especificamente, em termos dos processos de ensino e aprendizagem, o discurso desempenha um papel cardinal, na medida em que se forma os estudantes através de discursos de diversa índole e, além disso, se constrói|reconstrói a educação no plano discursivo. Assim, a análise dos discursos em, acerca e para a educação determina um projeto de reflexão crítica de caráter social, linguístico, político e pedagógico que reconhece conceções, compreensões e projeções em torno da história em construção das educações latino-americanas e das suas possibilidades, objetivos, obstáculos e utopias.
Neste sentido, os discursos acerca da formação (orais, escritos, audiovisuais, hipermediáticos, entre outros) configuraram historicamente formas|modos de pensamento e ação que permitem estabelecer os paradigmas a partir dos quais se pensa e se pratica a educação e, inclusive, a compreensão do sentido do que significa educar no século XXI. Ao conceber o discurso como um «componente essencial da interação sociocultural, como união da forma linguística e das funções da linguagem, como evento comunicativo encarnado na fala e na atividade sociocultural» (Krasina & Perfilyeva, 2021, p.247), compreendem-se as suas possibilidades como fenómeno de caráter inter e transdisciplinar, e as suas implicações nas ações quotidianas e nos acontecimentos e experiências situadas nos cenários escolares e sociais.
Este simpósio propõe, portanto, analisar as discursividades acerca da formação na América Latina, com o fim de reconhecer nelas não só as compreensões, as tendências e as potências em relação ao passado, ao presente e ao futuro das educações nos nossos contextos, mas também refletir sobre como, a partir do discursivo — a partir da linguagem –, se habita, se constrói e se desenha a realidade. Ao congregar a diversidade de discursos da formação na América Latina, abre-se uma esfera da vida social onde as humanidades e as ciências sociais dialogam, compondo e desmontando relatos de poder, de inclusão e exclusão, que tensionam o presente e, ao mesmo tempo, permitem pensar sobre as dinâmicas da (trans)formação do sujeito atual.

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