VISÕES INTERDISCIPLINARES FACE AOS DESAFIOS SOCIOTERRITORIAIS E SOLUÇÕES PARA A ADAPTAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
A aceleração da crise ambiental global impõe pressões sem precedentes sobre os territórios e as comunidades que os habitam. As alterações climáticas, a perda de biodiversidade e a degradação ecossistémica não são fenómenos isolados: expressam-se na vulnerabilidade dos meios de vida, na erosão dos serviços ecossistémicos e na fragilidade da infraestrutura que sustenta o bem-estar humano. Abordar esta complexidade exige superar os olhares setoriais e construir respostas a partir da convergência disciplinar.
Este simpósio convoca visões da ecologia, das ciências sociais, da geografia, da engenharia e da política pública para analisar os desafios socioterritoriais da crise ambiental e, sobretudo, para avançar na busca de soluções concretas, articuladas e escaláveis. O eixo central desta busca é uma plataforma de planeamento da adaptação que organiza mais de 70 tipos de soluções em três linhas estratégicas complementares.
A primeira linha, Adaptação Baseada em Comunidades (L1), parte do reconhecimento das pessoas como agentes ativos de mudança. Os seus programas –educação, fortalecimento comercial, administrativo e produtivo– procuram fortalecer os meios de vida rurais e urbanos, dotando as comunidades de capacidades para antecipar, resistir e recuperar-se face aos impactos climáticos.
A segunda linha, Adaptação Baseada em Ecossistemas (L2), integra a geração de conhecimento, a restauração ecológica e a sustentabilidade ambiental como pilares na busca de soluções que conservem e recuperem a biodiversidade e os serviços ecossistémicos. Esta linha reconhece que os ecossistemas saudáveis são, em si mesmos, a infraestrutura mais eficiente para a adaptação.
A terceira linha, Adaptação Baseada em Infraestrutura (L3), orienta a busca para a dimensão construída do território: a retenção e regulação da água, a proteção contra ameaças hidrometeorológicas, a redução da dependência climática direta e o aumento da eficiência produtiva configuram intervenções que reduzem a exposição e aumentam a resiliência física dos assentamentos e sistemas produtivos.
As três linhas convergem numa plataforma que não só sistematiza as soluções disponíveis, como facilita a sua priorização, conceção e acompanhamento com critérios técnicos, participativos e interculturais, respondendo às particularidades de cada território.
O simpósio propõe que a crise ambiental, longe de ser apenas uma ameaça, é também uma oportunidade para repensar a relação entre sociedade e território a partir da interdisciplinaridade e da ação coletiva. A adaptação não é um horizonte distante: é uma prática que já se constrói, e esta plataforma oferece o mapa para a percorrer.
