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TRANSFERÊNCIAS CULTURAIS ENTRE A EUROPA E A AMÉRICA: PROBLEMAS E NOVAS PERSPETIVAS SOBRE OS SÉCULOS XIX E XX

Na contemporaneidade, tornou-se um lugar-comum afirmar que vivemos numa era caracterizada exclusivamente pelo conhecimento conectado e pelas redes globais de informação. No entanto, para problematizar e matizar esta afirmação, a história social do conhecimento apresenta-se como uma perspetiva analítica indispensável. Este subcampo da história intelectual demonstra-nos que a interligação não é um fenómeno recente, mas sim um processo histórico de longa duração. Através da sua lente, é possível compreender como as sociedades humanas se foram formando ao longo do tempo, evidenciando que o saber não é um elemento abstrato, mas uma força ativa que contribui para moldar comunidades políticas, estruturar mercados económicos e tecer laços sociais através de complexos intercâmbios simbólicos.

Neste quadro teórico, e em consonância com a chamada «viragem global» da historiografia –que procura ultrapassar os compartimentos estanques dos estados nacionais–, adquire uma força renovada a necessidade de pensar a história de forma dinâmica e relacional. Isto implica deslocar o foco das produções locais isoladas para a circulação multidirecional de conceitos, discursos e ideias, examinando minuciosamente as diversas práticas e suportes materiais que tornaram possíveis esses trânsitos.

Sob estas premissas, este simpósio propõe um espaço de reflexão sobre a circulação e transferência de saberes entre a Europa e a América durante o período compreendido entre 1850 e 1950. Este século de análise é fundamental, uma vez que coincide com a consolidação e maturação dos estados nacionais, um processo que exigiu novas formas de governação, legitimação e controlo social.

A partir da questão central das transferências culturais, o simpósio procura desvendar e relacionar o papel protagonista desempenhado por diversos agentes, discursos e suportes na configuração dos vínculos entre cultura e política num período de consolidação dos estados nacionais. Durante esta época, a gestão da população, o controlo e a delimitação dos territórios, a invenção de comunidades simbólicas e a implantação de economias de matriz capitalista não ocorreram de forma insular. Pelo contrário, responderam a um jogo multidirecional e transcontinental que articulou dinâmicas globais, permeando fronteiras nacionais e chegando a espaços locais e regionais. Em suma, o simpósio convida a descentrar o olhar tradicional e a explorar como a análise das transferências culturais entre a Europa e a América nos leva a colocar novos problemas e perspetivas sobre os séculos XIX e XX.

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