FRONTEIRAS INTANGÍVEIS NO MUNDO IBERO-AMERICANO: MEMÓRIAS, IDENTIDADES E ALTERIDADES ENTRE A AMÉRICA E A EUROPA
As fronteiras têm sido tradicionalmente concebidas como linhas de demarcação territorial e política. No entanto, as investigações recentes nas humanidades e nas ciências sociais têm evidenciado a existência de outras fronteiras, menos visíveis, mas igualmente decisivas na configuração das sociedades ibero-americanas. Trata-se das fronteiras intangíveis: culturais, linguísticas, étnicas, religiosas, socioeconómicas, simbólicas e afetivas, construídas historicamente através de processos de inclusão, exclusão, negociação e conflito. Num contexto marcado pela reconfiguração das identidades coletivas, pelas disputas pela memória e pelo questionamento dos relatos nacionais tradicionais, o estudo das fronteiras intangíveis oferece um instrumento analítico para compreender a complexidade histórica do espaço ibero-americano.
Este simpósio propõe refletir sobre a produção histórica das fronteiras intangíveis no mundo ibero-americano, concebido como um espaço de intensos intercâmbios e circulações entre a América e a Europa. Interessa analisar como as memórias, as identidades e as alteridades foram construídas, negociadas e ressignificadas em ambos os lados do Atlântico, atendendo às ligações históricas entre os territórios hispano-americanos, o Brasil, Espanha e Portugal. Além disso, a proposta procura constituir um espaço de diálogo interdisciplinar e transnacional que fortaleça as redes de colaboração entre investigadores e promova uma agenda comum de estudos sobre as dinâmicas de diferenciação, os processos de interação e as múltiplas formas de articulação que configuraram o espaço ibero-americano.
A proposta parte da premissa de que as fronteiras não são apenas espaços de separação, mas também zonas de contacto, intercâmbio e criação de novas experiências culturais e políticas. Neste sentido, as fronteiras intangíveis permitem analisar os processos de formação de identidades nacionais, regionais e étnicas; as relações entre centros e periferias; as tensões entre modernidade e tradição; as práticas de memória; as políticas de patrimonialização; as experiências migratórias; as transferências de saberes e as dinâmicas de inclusão e exclusão social.
O simpósio procura ainda superar as divisões historiográficas que frequentemente mantiveram separados os estudos sobre a América Latina e o Brasil, bem como os dedicados a Espanha e Portugal. Retoma, neste sentido, a premissa de que as fronteiras não se voltam as costas, mas constituem espaços de encontro, circulação e reciprocidade, permitindo pensar o mundo ibero-americano como um território de ligações, diálogos e experiências partilhadas.
Convida-se à apresentação de trabalhos a partir de diversas perspetivas disciplinares (História, Antropologia, Sociologia, Geografia, estudos culturais, história da educação, história da ciência, estudos de memória e património) e a partir de diferentes enquadramentos cronológicos, desde a época colonial até à contemporaneidade.
