ROSTO, IMAGEM E PRESENÇA NAS AMÉRICAS INDÍGENAS
O rosto ocupa um lugar central em numerosas tradições visuais e materiais das Américas indígenas. Para além da sua função como traço identificador ou representação individual, o rosto humano e não humano aparece como superfície de transformação, manifestação, relação e presença. Esculpido, pintado, modelado, coberto, fragmentado ou multiplicado, participa ativamente em objetos, imagens, arquiteturas, paisagens e corpos transformados, bem como em processos rituais, políticos, estéticos e cosmológicos.
Este simpósio propõe explorar o rosto como problema visual, material e concetual no contexto da criatividade indígena do continente americano, desde o passado pré-colombiano até às expressões contemporâneas. Interessam-nos particularmente os trabalhos que examinem como diferentes culturas das Américas conceberam o rosto em relação com noções de imagem, animação, personificação, visão, corporalidade, transformação, alteridade, memória, presença ou poder. O simpósio procura também abrir um espaço para refletir sobre o rosto como ponto de tensão entre o individual e o impessoal, as relações entre rosto e máscara, rosto e superfície, rosto e paisagem, bem como sobre práticas de modificação facial|corporal, exibição ritual, figuração arquitetónica, objetos antropo- ou zoomorfos e sistemas gráficos ou escriturários.
O simpósio convida a apresentar propostas a partir da história da arte, da arqueologia, da antropologia, dos estudos visuais, da fotografia, da filosofia, dos estudos indígenas, da história, da literatura e de outros campos afins. O objetivo é reunir diversas perspetivas que permitam pensar o rosto não como uma categoria universal e estável, mas como uma construção histórica e culturalmente situada, capaz de articular formas complexas de presença e relação nas Américas indígenas.
