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CRIAÇÕES ARTÍSTICAS DO «ENTRE-VÁRIOS», SÉCULOS XX-XXI

Híbridos, mestiços, nostálgicos ou até melancólicos, todas estas abordagens questionam um mesmo espaço: o do «entre-vários». Será o «entre-vários» um espaço intermundial ou permanente? Pode ser analisado como uma fenda vibratória cujo discurso difere de vários mundos que dialogam ou colidem entre si? Analisar este «entre» equivale a estudar simultaneamente os mundos de uma imagem, de uma obra ou mesmo de um ato, bem como o discurso que deles se desprende e o que deles pode surgir. O «entre» convida a refletir sobre o devir deste encontro como uma perspetiva para além do real ou mesmo sobre o que nele participa, mas que não está realmente lá.
A América, de norte a sul, dos séculos XIX e XX, inscreve-se plenamente neste questionamento, tanto pelas dinâmicas plásticas afro-americanas como pelos cruzamentos com as artes europeias, asiáticas e árabes. Desde os primeiros haikus mexicanos do intelectual José Juan Tablada, passando pelo realismo mágico do argentino Xul Solar, até às obras conceptuais do escultor irano-americano Siah Armajani, o «entre-vários» plástico e teórico ergue-se como uma chave de leitura para abordar o conjunto das criações artísticas americanas na sua imensa diversidade.
Por conseguinte, propomos abrir o debate sobre criações plásticas paradigmáticas deste «entre-vários». Por outras palavras, obras que materializam e|ou teorizam este espaço intermédio –material ou imaterial–.

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