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PRÁTICAS DE CUIDADO E ACESSO AOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL: INSTITUIÇÕES, POLÍTICAS PÚBLICAS E DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS

As transformações contemporâneas das sociedades colocaram a saúde mental e o cuidado no centro de múltiplos debates sociais, políticos, culturais e institucionais. As mudanças demográficas, as reformas dos sistemas de saúde, as desigualdades sociais, as migrações, as violências, as transformações do trabalho, as inovações tecnológicas e as novas formas de compreender o bem-estar reconfiguraram as maneiras como se organizam, experienciam e disputam as práticas de cuidado e o acesso aos serviços de saúde mental. Neste cenário, torna-se necessário promover espaços de diálogo interdisciplinar que permitam compreender estas transformações a partir de diferentes perspetivas teóricas, metodológicas e contextuais.

Este simpósio tem como propósito reunir investigações que analisem as práticas de cuidado e o acesso aos serviços de saúde mental como fenómenos sociais, históricos, culturais e institucionais, atendendo às relações que se estabelecem entre as políticas públicas, os sistemas de saúde, as instituições, as profissões do cuidado, as comunidades e as experiências de quem participa nestes processos. Procura-se propiciar um intercâmbio entre investigações que, a partir de diferentes disciplinas e abordagens, contribuam para compreender as tensões, desafios e inovações que caracterizam atualmente a organização do cuidado e da assistência em saúde mental.

A convocatória dirige-se a investigadores, docentes, estudantes de pós-graduação, profissionais e atores institucionais provenientes de campos como a psicologia, a saúde pública, a antropologia, a sociologia, a medicina, a enfermagem, o serviço social, a geografia, a filosofia, a história, o direito, a ciência política e outras disciplinas interessadas no estudo do cuidado, da saúde e das políticas sociais. Terão lugar investigações empíricas, desenvolvimentos teóricos, estudos históricos, revisões críticas, experiências de intervenção e investigações comparadas que contribuam para a análise destes processos em diferentes contextos.

Entre as linhas temáticas de interesse incluem-se, sem se limitarem a elas: práticas clínicas, comunitárias e interculturais de cuidado; acesso, barreiras, continuidade e qualidade dos serviços de saúde mental; organização, reformas e modelos dos sistemas de saúde; políticas públicas e governação da saúde mental; cuidados primários e redes integradas de serviços; trabalho, condições laborais e identidades profissionais nos campos do cuidado; experiências de utentes, famílias e comunidades; participação social e organizações comunitárias; direitos humanos, género, diversidades e equidade em saúde mental; povos indígenas, saberes locais e modelos alternativos de cuidado; processos de medicalização, desmedicalização e novas formas de intervenção; tecnologias digitais, telessaúde, inteligência artificial e transformações da assistência; efeitos dos conflitos sociais, das migrações e das crises humanitárias sobre a saúde mental; bem como perspetivas históricas, filosóficas, fenomenológicas e críticas sobre as práticas de cuidado e a organização dos serviços.

O simpósio procura consolidar um espaço de encontro interdisciplinar que favoreça o diálogo entre diferentes tradições de investigação e contribua para compreender como as transformações contemporâneas estão a redefinir as formas de cuidar, aceder e garantir a saúde mental nas sociedades atuais.

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