Skip links

DESAFIOS E URGÊNCIAS COMUNITÁRIAS DAS LUTAS FEMINISTAS, TRAVESTIS-TRANS E ANTICOLONIAIS PARA REPENSAR O PRESENTE NA AMÉRICA LATINA E NAS CARAÍBAS.

O nosso continente atravessa atualmente processos de reconfiguração política e económica liderados por uma série de coligações neoliberais que acederam ao aparelho governamental em diferentes países da região após a crise da COVID-19. O recrudescimento do despojo e da violência estrutural deu origem a diferentes narrativas. Podemos identificar diversas formas de nomear e compreender o presente em diálogo com o passado. No campo das práticas políticas, poderíamos assinalar pelo menos três forças protagonistas das últimas décadas em Abya Yala, a saber: governos de cariz progressista, governos de cariz fascista com projetos abertamente antidireitos e um campo heterogéneo composto por diferentes formas de vida e experiências de lutas do mundo popular comunitário. Dentro deste último, propomo-nos colocar no centro diferentes cartografias das lutas travestis-trans, feministas e|ou anticoloniais a partir de cada corpo-território.

O simpósio propõe-se partilhar chaves de análise emergentes de investigações concluídas ou em curso a partir das quais se aborda e acompanha as tramas que se encontram em mobilização e as perguntas que temos formulado. A riqueza do diálogo deste simpósio reside na sua diversidade de perspetivas e leituras de diferentes lutas em chave crítica do nosso presente e história, marcada pelo colonialismo patriarcal. O objetivo é colocar no centro da reflexão os desafios e urgências populares-comunitárias na América Latina e nas Caraíbas em torno das referidas lutas.

A vasta teoria produzida no continente acerca destes modos de politização, das suas experiências e da produção de saberes dá conta de importantes acumulados para compreender o momento político atual. Uma particularidade partilhada destes acumulados posiciona-se a partir de um compromisso político explícito e, de facto, podem observar-se fortes cruzamentos entre o ativismo, a emergência e desdobramento da ação política e os desenvolvimentos no campo intelectual ou académico. Como contraface disto, podem observar-se cada vez mais reações conservadoras numa aliança entre direitas e grupos religiosos que posicionam uma forte ofensiva «antigénero». Tais respostas colocam as reivindicações das lutas feministas, travestis-trans e antirracistas no foco das perseguições e das ações violentas.

Neste sentido, pode observar-se, a partir da amplitude de lutas, um contexto político que cada vez mais nos coloca perante a necessidade de repensar os quadros teóricos que até agora foram utilizados para analisar os movimentos sociais e as suas lutas, a ação coletiva e o pensamento em torno das pressões sobre as quais se procura refletir, bem como revalorizar a produção própria em termos de experiências de investigação-extensão e ensino-aprendizagem.

Deste modo, o simpósio propõe-se estabelecer pontos de conexão enquanto alianças que fortaleçam um olhar articulado sobre as opressões, a partir de diferentes territórios, que ajudem a enriquecer o diálogo académico sobre as características das tramas desdobradas neste momento histórico, os cruzamentos e alianças políticas que se geram, e rastrear os novos horizontes de problemas e desafios que se propõem ao pensamento e à ação dos movimentos sociais e às suas reconfigurações.

YouTube
Instagram
Explore
Drag