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PENSAR O POLÍTICO EM TEMPOS DE CRISE: UTOPIAS, IDEOLOGIA, ESTÉTICA E REVOLUÇÃO.

A tarefa de pensar o político é, desde que os seres humanos constroem comunidades nas quais é possível o intercâmbio de ideias, uma necessidade inerente à própria comunidade. Se tal tarefa, hoje, vem associada a um tempo pós-moderno caracterizado por uma ladainha em que se põe fim às utopias, à história, à arte e, em suma, ao político, nem por isso deve o ânimo cair numa resignação que se conforme com o imediato, mas sim, pelo contrário, aproveitar as circunstâncias para colocar, uma e outra vez, a essência do político. Longe de supor que a pós-modernidade implica uma paralisia niilista que intimide o pensamento, supomos, na realidade, que desvendar o que se esconde por detrás dessa suposta paralisia é um dos nossos desafios.

Pensar o político é uma das melhores formas que temos para tentar compreender e diagnosticar as diversas tribulações que afetam a vida democrática, em risco contínuo de perecer perante práticas políticas reais que estendem o desafeto, esbatem a verdade e alargam os antagonismos sociais. Ao mesmo tempo, pensar o político é uma atividade que evidencia a necessidade de atualizar e revitalizar as possibilidades utópicas que o triunfo da ideologia única e omnipresente parecem esgotar constantemente, ao ponto de imaginar outros cenários comunitários se ter tornado um dos principais desafios.

Por isso, a proposta que lançamos a partir deste simpósio é a de ir ao centro do político tentando uma abordagem multidisciplinar. O motivo é evidente: a partir de diferentes disciplinas procura-se compreender o político e, por isso, o diálogo aberto torna-se o melhor meio para abordar tudo aquilo que seja de interesse na busca de novas vias e novas compreensões, tanto teóricas como práticas. Deste modo, o nosso convite estende-se tanto a filósofos como ao resto das disciplinas humanas e sociais.

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