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PEDAGOGIAS INTERCULTURAIS E FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA COMUNIDADES ÉTNICAS NA AMÉRICA LATINA

A América Latina tem sido palco de processos educativos, organizativos e de reivindicação dos saberes com a liderança das comunidades camponesas, afrodescendentes e indígenas. Neste contexto, a formação de professores com abordagem intercultural e etnoeducativa não é apenas uma resposta pedagógica, mas também de revitalização e sobrevivência cultural dos povos para a construção de sociedades mais justas e diversas.

Este simpósio convoca investigadores, docentes e formadores da América Latina a refletir criticamente sobre os modelos, as tensões e os horizontes da formação docente intercultural no continente.

O simpósio parte de uma premissa central: os programas de formação de professores não podem ser alheios às realidades históricas e culturais próprias dos povos étnicos. A etnoeducação é o processo através do qual os membros de um povo ensinam e constroem conhecimentos e valores de acordo com as suas necessidades, aspirações e interesses, projetando-se com identidade perante outros grupos humanos. Esta definição implica que o professor etnoeducador é um agente intercultural e intergeracional, que faz a mediação entre saberes e que foi formado a partir de e para a sua própria comunidade.

Neste horizonte, o simpósio propõe três eixos de discussão:

O primeiro é o dos fundamentos epistemológicos e políticos da formação intercultural: a partir de que paradigmas se formam os professores para comunidades étnicas?, como se articulam os saberes ancestrais com os saberes académicos nos currículos das licenciaturas?, o que significa descolonizar a pedagogia em contextos rurais e de fronteira?

O segundo eixo aborda as experiências e os modelos concretos de formação docente intercultural em diferentes países da América Latina, incluindo programas presenciais, à distância e com presencialidade intensiva, com especial atenção aos desafios de acesso, permanência e pertinência cultural.

O terceiro eixo examina os vínculos entre a formação docente, os Planos de Vida comunitários e os Projetos Educativos Comunitários como instrumentos de autonomia pedagógica e territorial, questionando de que forma as universidades podem ser aliadas destes processos.

O simpósio insere-se na linha temática de Educação.

Espera-se que as comunicações apresentem reflexões teóricas, sistematizações de experiências e resultados de investigação que contribuam para fortalecer o campo da educação intercultural no continente e para dar visibilidade às vozes e saberes dos povos ancestrais em chave de inovação e futuros regenerativos.

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