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OS CEMITÉRIOS PATRIMONIAIS, ESPAÇOS DE MEMÓRIA ONDE O PASSADO SE TORNA PRESENTE.

O carácter universal da morte provoca, nas diferentes comunidades, a necessidade de criar rituais para a enfrentar. Cada etnia ou religião expressa o seu próprio sistema da morte, indissociável da sua cosmogonia, da sua teologia e da sua psicologia, o que dá origem a uma linguagem da morte que se expressa através do cerimonialismo, da arquitetura e do uso do espaço funerário. Os cemitérios ocupam uma posição relevante, dando origem a ritos e visitas periódicas.
A forma como as sociedades ou grupos sociais enfrentam a morte, através de um conjunto de rituais e hábitos que, no Ocidente, tem a sua máxima expressão nos modos de inumar os corpos na terra, assenta nos preceitos judaico-cristãos que, ao longo do tempo, foram dando lugar à construção de diversos espaços, como igrejas, campos-santos e cemitérios, entre outros.
Consideramos os cemitérios patrimoniais como espaços socialmente construídos que apresentam, nas suas diferentes dimensões, tanto tangíveis como intangíveis, expressões do grupo social, étnico ou religioso a que pertencem.
Encontramos elementos de memória que se expressam não só na espacialidade dos cemitérios, mas também nos monumentos e placas neles presentes. Por conseguinte, consideramos o termo monumento no seu significado de origem latina, monumentum, que deriva do verbo monére, que significa recordar ou admoestar, e que se utiliza para designar uma obra de carácter comemorativo criada com o objetivo de manter viva, ao longo do tempo, a memória de pessoas ou acontecimentos.
Consideramos os cemitérios e os seus monumentos como suporte implícito e explícito de uma dimensão de memória; no caso dos que comemoram factos luctuosos coletivos, fazem parte de um discurso sobre um acontecimento coletivo que afetou e afeta a sociedade, ou pelo menos uma parte dela, que o construiu e o mantém.
O monumento funerário, enquanto objeto, é um sistema de sinais, um veículo que transporta e transmite mensagens, expressões e ideias que afetam o meio envolvente e que evidenciam o sistema cultural, sendo, por conseguinte, um importante mediador social.
Neste simpósio convocamos colegas de diferentes áreas para discutir a problemática atual da preservação destes espaços únicos, concebidos no século XVIII e construídos a partir do início do século XIX, que sofrem uma deterioração constante devido a múltiplas causas, desde o vandalismo até à negligência.

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