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MULHERES MEXICANAS E CULTURA POLÍTICA: GÉNERO, VIOLÊNCIAS ESTRUTURAIS E EMPODERAMENTO

Mulheres mexicanas, mulheres rurais, mulheres muralistas, mulheres artistas, mulheres nahuas, mulheres com deficiência visual. A partir de diferentes olhares, como as interseccionalidades entre o modelo de educação dual-técnica em mulheres urbanas, a hierarquização do conhecimento e o estigma social constituem um campo de discussão crucial ao incorporar a perspetiva de género, onde as noções de prestígio costumam ligar-se a papéis tradicionais do feminino e do masculino. Igualmente, barreiras para o acesso, a permanência e a conclusão do ensino secundário superior das mulheres rurais na região sudeste de Coahuila. Seguindo, perdidas na história, a invisibilização das muralistas e outras artistas mexicanas do século XX. Aurora Reyes Flores –a primeira muralista do México–, Elena Huerta Múzquiz, María Dolores Velázquez Rivas, e María del Carmen Mondragón Valseca –precursora do feminismo mexicano do século XX– consolidaram trajetórias artísticas prolíficas apesar de condicionantes de desigualdade estrutural: crítica enviesada, segregação ocupacional de género, subordinação biográfica em relação a colegas e cônjuges masculinos, censura política e cultural. Por sua vez, a violência na obstetrícia constitui uma problemática de saúde pública que reflete a persistência de relações de poder desiguais na assistência ao parto, onde o modelo biomédico e as estruturas patriarcais limitam a autonomia das mulheres e favorecem práticas de controlo sobre os corpos gestantes. Onde o patriarcado influencia a aceleração do parto durante o trabalho de parto como mecanismo de controlo, a partir da perspetiva de médicos obstetras de uma instituição pública de saúde. Igualmente, analisa-se a relação entre comunicação, género e saúde mental a partir do estudo da cobertura jornalística do suicídio. Por sua vez, as experiências das mulheres indígenas e a sua atual relevância nos estudos de género; devido à necessidade de compreender como se articulam diferentes formas de desigualdade. As mulheres nahuas da Sierra Norte de Puebla enfrentam realidades marcadas pela convergência de fatores associados ao género, à pertença étnica e às desigualdades históricas que têm afetado os povos indígenas. No México, o aumento dos quadros jurídicos que combatem a violência contra as mulheres tem sido acompanhado por desafios persistentes para garantir um acesso significativo das mulheres à justiça. Pelo que se observa o paradoxo em relação à violência institucional baseada no género. Os estudos de caso que integram o Simpósio têm uma abordagem qualitativa, fenomenológica, de tipo etnográfico, no terreno, com aplicação de entrevistas em profundidade e histórias de vida. Algumas das autoras autoidentificam-se com povos originários e origens rurais, outras no exercício médico, outras ligadas ao setor educativo e outras no exercício da advocacia. Constitucionalistas e especialistas em análise jurisprudencial e argumentação jurídica, provenientes do México, Cuba e Venezuela.

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