MOVIMENTOS SOCIAIS VERSUS TERCEIRO SETOR: REBELDIA VERSUS INSTRUMENTO DO NEOLIBERALISMO DE PRIVATIZAÇÃO DO ESTADO, DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DOS SERVIÇOS PÚBLICOS SOCIAIS
Os movimentos sociais, a sociedade civil organizada e as organizações não-governamentais (ONGs) são essenciais para a implementação de Estados de Bem-Estar Social e democracias participativas e deliberativas, com a sociedade civil como agente de mudança e fiscalizadora do Poder Público. No entanto, desde os anos 1990, na América Latina, o neoliberalismo tem gerado privatizações radicais, com a transferência de atividades lucrativas para o mercado, a iniciativa privada com fins lucrativos, e os serviços públicos sociais, como educação e saúde, para as chamadas entidades do «terceiro setor», com o discurso de que seriam mais eficientes e menos burocráticas.
Com isto, a saúde e a educação públicas têm sido transferidas para entidades como Organizações Sociais (OS), Organizações da Sociedade Civil (OSC) e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) no Brasil e na América Latina, chamadas de setor público não estatal, gerando problemas de regresso ao patrimonialismo e fuga ao regime jurídico administrativo.
Assim, a sociedade civil organizada, através das ONGs, que até aos anos 1980 e início dos anos 1990 eram instrumento de redemocratização nos países latino-americanos que passaram por ditaduras militares, de contestatárias passaram a ficar dóceis e sedentas de dinheiro público para efeitos de assumirem funções estatais sociais, e não como foco de resistência democrática e social.
