MIGRAÇÃO, (I)MOBILIDADE, TRANSNACIONALISMO: CAPITAL SOCIAL E IDENTIDADES NAS CONEXÕES ENTRE O SUL E NORTE GLOBAL
Num contexto global marcado por crises sistémicas e transformações identitárias, as diásporas do Sul Global constituem um terreno fértil para refletir sobre múltiplos pertencimentos, memórias individuais e coletivas e narrativas de origem. Este painel propõe analisar como as comunidades diaspóricas, tanto históricas como contemporâneas, reelaboram os seus vínculos entre passado e presente, origem e destino, tradição e reinvenção cultural e simbólica, com especial atenção às ligações entre o Sul e o Norte Global.
Do ponto de vista teórico, o painel ancora-se nos estudos diaspóricos, que concebem a diáspora não como perda, mas como um espaço produtivo de novas identidades culturais. Articulamos esta perspetiva com o conceito de «capital social», examinando como as redes de confiança e reciprocidade são mobilizadas para sustentar as comunidades transnacionais. Além disso, o painel dialoga com as teorias do transnacionalismo, que destacam como os migrantes e os seus descendentes constroem campos sociais que atravessam fronteiras nacionais.
Partindo de uma abordagem interdisciplinar, pretendemos reunir estudos que explorem:
Comunidades digitais e identidades transnacionais: o papel das tecnologias de comunicação na recriação de pertencimentos, narrativas coletivas e sentidos de pertença.
Capital social e organização comunitária na diáspora: redes de apoio, vínculos sociais e estratégias coletivas que influenciam trajetórias migratórias, adaptação e circulação transnacional.
Migração de retorno e reconfiguração de pertencimentos: entendida como categoria social capaz de reconfigurar pertencimentos, projetos familiares e horizontes de vida, e não apenas como contrafluxo estatístico.
Deste modo, o painel procura fomentar o diálogo multidisciplinar entre os diferentes campos de conhecimento, contribuindo para os debates sobre mobilidade humana, diásporas e identidades plurais, bem como sobre heranças coloniais, desigualdades estruturais e trajetórias transnacionais. Ao colocar em diálogo as experiências da diáspora, do transnacionalismo e das (i)mobilidades, o painel enfatiza a relevância das interações históricas e atuais para a compreensão da pluralidade sociocultural.
