MEMÓRIAS, TERRITÓRIOS E FUTUROS POSSÍVEIS: COMUNIDADES, DIREITOS E CONSTRUÇÃO DE PAZ NAS AMÉRICAS CONTEMPORÂNEAS
As memórias coletivas constituem um dos principais cenários a partir dos quais as sociedades americanas interpretam o seu passado, disputam o significado das suas experiências históricas e constroem horizontes de futuro. Longe de ser apenas um exercício de evocação, a memória atua como um recurso político, cultural e social que influencia a configuração de identidades coletivas, a defesa dos territórios, as lutas pelo reconhecimento e a formulação de projetos de transformação social. Neste sentido, as memórias não só permitem compreender o que as sociedades foram, mas também imaginar e construir aquilo que podem vir a ser.
As Américas enfrentam atualmente desafios complexos relacionados com a persistência de desigualdades históricas, os efeitos dos conflitos armados e da violência política, a exclusão de grupos étnicos e rurais, as disputas territoriais e as tensões decorrentes dos modelos de desenvolvimento. Perante estes desafios, comunidades indígenas, afrodescendentes, camponesas e outros coletivos historicamente marginalizados desenvolveram práticas de memória, saberes territoriais e formas de ação coletiva que constituem importantes fontes de inovação social e política.
Nesta perspetiva, o simpósio propõe compreender as relações entre memória, território, direitos humanos, construção de paz e transformação institucional, prestando especial atenção às formas como as comunidades mobilizam as suas experiências históricas para construir respostas aos desafios contemporâneos e projetar futuros mais justos, democráticos e sustentáveis.
Objetivo geral
Compreender como as memórias coletivas de comunidades historicamente excluídas influenciam os processos contemporâneos, a defesa de direitos, a ação coletiva, a transformação institucional e a construção de paz nas Américas.
Objetivos específicos
* Discutir as relações entre memória, identidade coletiva e ação política em diversos contextos territoriais.
* Conhecer as experiências de resistência e construção de paz impulsionadas por comunidades indígenas, afrodescendentes, camponesas e outros grupos historicamente marginalizados.
* Refletir sobre o papel das memórias coletivas na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas relacionadas com direitos humanos, participação e desenvolvimento territorial.
* Identificar experiências inovadoras de articulação entre comunidades, organizações sociais e instituições estatais.
* Promover o intercâmbio interdisciplinar de perspetivas teóricas e metodológicas sobre memória, território e transformação social.
Perguntas orientadoras
* De que forma as memórias coletivas influenciam as lutas contemporâneas pelo reconhecimento e pela garantia de direitos?
* Como contribuem as práticas de memória para a construção de paz positiva e para a reconstrução do tecido social?
* Que tensões e oportunidades emergem na relação entre memórias comunitárias e instituições estatais?
* Como dialogam os saberes territoriais e ancestrais com as políticas públicas e os processos de governação?
* Como podem as memórias coletivas tornar-se recursos para imaginar e construir futuros mais inclusivos, democráticos e sustentáveis?
Outros temas sugeridos
* Memórias coletivas, identidades e transmissão intergeracional de saberes.
* Comunidades indígenas, afrodescendentes e camponesas: territórios, resistências e reivindicações.
* Memória histórica, conflito armado, violência interna (distúrbios e situações internas) e construção de paz.
* Direitos humanos, desenho institucional transicional e reparação coletiva.
* Território, despojo, restituição e defesa de bens comuns.
* Participação política, ação coletiva e cidadania.
* Saberes ancestrais, conhecimentos locais e alternativas de desenvolvimento.
* Políticas públicas, governação territorial e capacidade
