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MEMÓRIAS E FUTUROS NO TERRITÓRIO DAS AMÉRICAS: AS CULTURAS SITUADAS PARA UM DESENVOLVIMENTO REGENERATIVO

Desde o sul do Rio Bravo até ao estreito de Magalhães estende-se o território que sustenta a muito complexa condição latino-americana: territórios e culturas de mestiçagens e hibridação entre padrões tradicionais, modernos e pós-modernos, segundo Canclini. Ao abordar este território, parece ser possível identificar uma “unidade” territorial, que resulta mais de uma vontade do que de uma condição dada. Esta unidade, propõe Marina Waisman, é “mais do que um dado, um problema”, que abre múltiplas opções de problemas para enfrentar a memória e o futuro do nosso território.

Partilhamos com Milton Santos a ideia de que o território se entende como “a imagem da realidade de uma sociedade expressa através de bens tangíveis e intangíveis (…). Neste processo, opera-se sempre em duas dimensões básicas: a identidade e a diferença”. Se à identidade, à memória, à tradição, as pudermos entender como formas de pertença e de participação: a que pertencemos e de que participamos? Qual é o nosso futuro, as nossas possibilidades de enfrentar mudanças, de resolver inovações no território latino-americano?

Para nos adentrarmos no problema que este território, a sua cultura e o seu futuro supõem, propomo-nos refletir a partir da afirmação de que a cultura é facilitadora do desenvolvimento sustentável, de acordo com a Conferência Mundial sobre Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável, MONDIACULT 2025. Perante a necessidade de responder à sustentabilidade, às alterações climáticas e à procura de bem-estar no nosso território, entendemos que “a cultura contribui para o pleno exercício dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, para a construção da paz, para o crescimento económico inclusivo, bem como para a resiliência climática, o bem-estar e o desenvolvimento sustentável”, segundo o Relatório Mundial da UNESCO sobre Políticas Culturais, A Cultura: o ODS Ausente, 2025.

Este simpósio apresenta-se como um espaço para pensar a cultura americana como fator de desenvolvimento sustentável, como um “objetivo” capaz de abordar os desafios mais urgentes do mundo, mas com entidade própria, porque historicamente propiciou inovações que desenharam futuros desejados, cujas construções materiais e imateriais são hoje memória. Olhando para o futuro, o que hoje se define como um “ecossistema cultural sustentável”.

Através de uma abordagem pluridisciplinar, propõe-se explorar contributos da arquitetura, das ciências do ambiente, do território, da história, do património cultural, que evidenciem como a cultura molda as nossas perceções do território, da paisagem e da relação com a natureza; como atua como fator de coesão, inclusão e construção de identidades partilhadas; como gera recursos criativos que impulsionam a inovação. Convida-se à apresentação de trabalhos situados no território latino-americano sobre:
– alterações climáticas e sustentabilidade ambiental através da cultura,
– cultura em situação de risco,
– ecossistemas culturais inclusivos e sustentáveis que impulsionem o desenvolvimento económico,
– cultura como ferramenta para alcançar resiliência, paz e segurança,
– processos de desenvolvimento territorial construídos culturalmente mestiços,
– preservação do património cultural como contributo para a sustentabilidade ambiental e social,
– cultura como centro de políticas de desenvolvimento que integrem estratégias inclusivas, equitativas e eficazes,
– projeto urbano-territorial e arquitetónico como ferramenta regenerativa.

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