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HISTÓRIA DO TRABALHO NA AMÉRICA COLONIAL: TRADIÇÃO E MEMÓRIA

O trabalho, entendido como fundamento essencial do sistema capitalista e dos processos de geração e acumulação de riqueza, bem como o seu papel nas economias extrativistas coloniais, constitui uma chave interpretativa para compreender diversas facetas do colonialismo europeu nas Américas. Desde finais do século XV, com a expansão e ocupação europeias dos continentes americanos, diferentes formas de trabalho –escravo, forçado e assalariado– foram desempenhadas por grupos pertencentes a diversos estratos sociais da sociedade colonial, entre eles populações nativas, africanos cativos de múltiplas proveniências e outros indivíduos que participaram em tarefas específicas dentro das estruturas produtivas coloniais. Estas formas de organização laboral configuraram uma estratégia imperial de dominação política, económica e social impulsionada pelas potências coloniais europeias. Com o tempo, este processo contribuiu para a construção de um modelo global de exploração, coerção e subordinação que se aplicou noutros espaços geográficos ligados à expansão imperial europeia. Neste contexto, surge uma questão central: por que continua a ser importante considerar o trabalho como categoria-chave para compreender a história da América colonial? Este simpósio procurará responder a esta questão através de investigações inovadoras que analisem as dimensões sociais, políticas, económicas e culturais do trabalho, tanto a partir de perspetivas locais americanas como das suas ligações globais, prestando especial atenção à forma como essas dinâmicas se articularam em diferentes contextos históricos das experiências coloniais nas Américas.

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