FESTAS E ROMARIAS NA IBERO-AMÉRICA CONTEMPORÂNEA
As festas constituem um dos pilares das identidades no mundo ibero-americano. Notavelmente, são manifestações culturais pelas suas naturezas plurais, complexas e impregnadas de contradições. Com isto, é possível dizer que são expressões importantes capazes de permitir a compreensão da sociedade. Durante muito tempo, as investigações sobre as festas privilegiaram a sua dimensão reguladora da sociedade, como instrumento para controlar e manter a ordem. Deste modo, as festas tornaram-se o centro de atenção de investigadores que tentaram interpretar modelos que oscilavam entre entendê-las como um instrumento regulador da sociedade ou como expressão reveladora da verdadeira natureza social. Isto sem esquecer os folcloristas, pioneiros na observação das festas, registadas como objetos preciosos que foram lidos como uma sobrevivência do passado. No entanto, nas últimas décadas produziu-se uma grande quantidade de estudos sobre as festas, tornando-as um objeto de estudo privilegiado para diversos campos disciplinares, como a Antropologia, as Ciências da Religião, a História, o Património e o Turismo.
As manifestações festivas passaram a entender-se como fenómenos complexos, impregnados por uma pluralidade de sujeitos e vozes que exigem uma interpretação sofisticada e diferentes fontes documentais. Por conseguinte, as investigações revelam festas que apresentam dimensões nacionais, regionais ou locais; de conotação cívica, popular, étnica ou religiosa. Especificamente, os festivais passaram a ser vistos como expressões sociais onde ocorrem conflitos, negociações e resistências. As festas são palcos das ações da história, da luta dos oprimidos; por isso, nos relatos sobre elas é muito comum encontrar uma associação com a crise. Assim, o propósito deste simpósio temático é reunir trabalhos de diferentes campos disciplinares que tenham as festas, peregrinações e romarias do mundo ibero-americano contemporâneo como tema de investigação.
