ENTRE TERRITÓRIOS E MEMÓRIAS: METODOLOGIAS DISRUPTIVAS E INTERDISCIPLINARES PARA INVESTIGAR AS MIGRAÇÕES NAS AMÉRICAS
As mobilidades humanas constituem uma dimensão estruturante das sociedades nas Américas. Desde os deslocamentos forçados provocados por guerras, ditaduras, conflitos internos e perseguições políticas até às migrações contemporâneas associadas a desigualdades sociais, transformações ambientais e crises humanitárias, as experiências de mobilidade têm contribuído para moldar territórios, identidades, memórias e formas de pertença em todo o continente. No entanto, estas experiências costumam ser representadas através de categorias rígidas e narrativas homogéneas que reduzem a complexidade das trajetórias das pessoas migrantes, sejam refugiadas, requerentes de asilo, exiladas, deslocadas internas e tantas outras nomenclaturas que evocam múltiplos sentidos e pertenças.
Este simpósio propõe um diálogo interdisciplinar acerca das metodologias e estratégias de investigação utilizadas para estudar as mobilidades humanas nas Américas desde o pós-guerra até à atualidade. Em consonância com o lema do evento, o objetivo é refletir sobre as relações entre territórios, memórias e inovação metodológica, explorando como as experiências de mobilidade produzem, transformam e ressignificam paisagens materiais e imateriais, bem como as formas como estas experiências são recordadas, narradas, arquivadas e transmitidas entre gerações.
O simpósio parte da premissa de que as mobilidades humanas não constituem apenas deslocamentos entre pontos geográficos definidos, mas também processos sociais, políticos, culturais e afetivos que configuram espacialidades complexas e múltiplas formas e camadas de territorialidades. Nesta perspetiva, o território não é concebido como um espaço fixo ou delimitado, mas como uma construção dinâmica atravessada por memórias, práticas de mobilidade, experiências de enraizamento e desenraizamento, agências, fronteiras, redes e sentidos de pertença.
Serão bem-vindas propostas que desenvolvam metodologias que permitam recuperar as perspetivas, memórias e formas de agência das populações migrantes, tais como as cartografias críticas, a história oral, a investigação etnográfica, as metodologias participativas, os estudos visuais, a análise geoespacial, a análise arquivística e outros métodos que ofereçam ferramentas inovadoras para tornar visíveis experiências frequentemente ausentes dos relatos oficiais e das representações institucionais da mobilidade humana. Estas abordagens permitem explorar os vínculos entre memórias, espaços e migrações, bem como compreender as suas dimensões materiais, simbólicas, emocionais, políticas e culturais.
Ao reunir investigadores de diferentes disciplinas, gerações e regiões das Américas, o simpósio procura promover intercâmbios metodológicos e teóricos que contribuam para uma compreensão mais complexa das mobilidades humanas, das suas memórias e das suas territorialidades. Pretende ainda refletir sobre como as inovações metodológicas e tecnológicas atuais dialogam com as memórias, paisagens e agências migrantes para enriquecer o estudo das (i)mobilidades humanas e dos seus múltiplos significados nas Américas contemporâneas.
