ECOSSISTEMAS DE EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO A PARTIR DO SUL GLOBAL: TERRITÓRIOS, SABERES ANCESTRAIS E PLURIVERSO NA AMÉRICA LATINA
Este simpósio propõe analisar, a partir dos estudos económicos do desenvolvimento, da economia política do empreendedorismo e da inovação, e das abordagens heterodoxas do desenvolvimento, a configuração de ecossistemas de empreendedorismo e inovação em contextos do Sul Global marcados por territórios indígenas, saberes ancestrais e disputas em torno dos modelos de progresso e bem-estar. Procura-se compreender como as políticas de empreendedorismo, a institucionalidade empresarial, as estratégias de inovação e os programas de fortalecimento produtivo interagem com estruturas económicas locais caracterizadas por desigualdades históricas, economias comunitárias e cosmovisões pluriversais sobre o território.
O propósito central do simpósio é debater de que forma diferentes formas de empreendedorismo -individual, indígena, artesanal, social e comunitário- e diferentes estratégias de inovação impactam o desenvolvimento económico territorial, a produtividade local, a competitividade e as trajetórias de inserção no mercado na América Latina. Neste sentido, pretende-se identificar que arranjos económico-institucionais, modelos de negócio, capacidades organizacionais e formas de governação permitem articular recursos financeiros, capital humano, quadros regulatórios e saberes ancestrais de forma mais equitativa, sustentável e culturalmente legítima, bem como que dispositivos reproduzem dependências, assimetrias e formas de colonialidade em nome do empreendedorismo, da inovação e do desenvolvimento.
O simpósio estrutura-se em torno de três eixos temáticos. Em primeiro lugar, abordar-se-ão os ecossistemas de empreendedorismo e inovação em economias emergentes, analisando dimensões estruturais e subjetivas do ambiente e a sua relação com a criação, sustentabilidade e escalonamento de empresas. Este eixo dialoga com agendas de política pública, incubação, aceleração e fortalecimento de PME inovadoras na América Latina, bem como com propostas recentes sobre inovação como hábito organizacional. Em segundo lugar, examinar-se-ão as economias indígenas e artesanais em diferentes territórios latino-americanos. Coloca-se o foco em modelos de negócio híbridos, gestão de valor cultural, reorganização do trabalho, papéis de género, rendimentos e autonomia económica, com o objetivo de problematizar a relação entre mercado, identidade e desenvolvimento. Em terceiro lugar, analisar-se-á o empreendedorismo pluriversal como espaço de diálogo entre atores diversos que, a partir das suas identidades, territorialidades e cosmologias, impulsionam formas de empresa comunitária, inovação social, iniciativas energéticas territoriais e experiências de bem viver. Este eixo procura ampliar as noções convencionais de empresa, inovação e criação de valor, mostrando como surgem formas organizacionais orientadas não só para a rentabilidade, mas também para a reprodução da vida, a sustentabilidade territorial e a legitimidade cultural.
A discussão sustenta-se em experiências empíricas de diferentes países latino-americanos, incluindo contextos onde confluem potencial produtivo, economias indígenas e populares, fragilidade institucional e conflitos socioambientais. A partir destes casos, analisar-se-á como atores públicos, privados, académicos e comunitários coproduzem ecossistemas de empreendedorismo e inovação que podem tanto reproduzir assimetrias de poder como abrir espaços para a autodeterminação económica, a preservação de saberes ancestrais e a inovação situada.
O simpósio convoca investigadores de economia, gestão de empresas, negócios, estudos do desenvolvimento, gestão da inovação, estudos decoloniais e representantes de comunidades, entidades públicas, empresas, organizações sociais e redes de empreendedorismo e
