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DA SUSTENTABILIDADE À REGENERAÇÃO — UMA TRANSFORMAÇÃO NECESSÁRIA PARA O FUTURO DOS TERRITÓRIOS

A crescente complexidade dos desafios ambientais, sociais e económicos tem evidenciado as limitações das abordagens tradicionais de sustentabilidade para enfrentar questões como as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e a degradação dos ecossistemas. Neste contexto, a transformação regenerativa surge como uma evolução concetual e prática que procura não só reduzir os impactos negativos, mas também restaurar e fortalecer a capacidade dos sistemas socioecológicos para gerar condições favoráveis à vida (Wahl, 2016; Storm & Hutchins, 2021).

A inovação regenerativa tornou-se um mecanismo fundamental para impulsionar esta transição, promovendo a conceção de soluções que integram o bem-estar humano, a saúde dos ecossistemas e a resiliência territorial. Esta abordagem reconhece a interdependência entre os sistemas naturais, sociais e económicos, fomentando processos de adaptação, aprendizagem e criação de valor partilhado que contribuem para a regeneração dos territórios (Fullerton, 2020; Sanford, 2022).

A aplicação de princípios regenerativos tem ganho relevância em diferentes setores produtivos. A agricultura regenerativa incorpora práticas destinadas a melhorar a saúde do solo, aumentar a biodiversidade, otimizar o uso dos recursos naturais e reforçar o sequestro de carbono, contribuindo simultaneamente para a produtividade agrícola e a restauração ecológica (FAO, 2024). Do mesmo modo, a pecuária regenerativa promove sistemas de gestão que apoiam a recuperação das pastagens, o bem-estar animal e a restauração de processos ecológicos essenciais, gerando benefícios ambientais, económicos e sociais nos territórios rurais (Savory Institute, 2024).

Além disso, o turismo regenerativo representa uma evolução para além dos modelos convencionais de turismo sustentável, ao criar experiências capazes de gerar impactos positivos tanto nos ecossistemas como nas comunidades anfitriãs. Esta abordagem procura fortalecer identidades culturais, estimular as economias locais e contribuir ativamente para a restauração territorial, promovendo relações mais conscientes e recíprocas entre visitantes, comunidades e natureza (Pollock, 2023; Regenerative Travel, 2024).

Este simpósio reflete sobre o papel da inovação regenerativa como motor central dos processos de transformação na agricultura, na pecuária e no turismo, destacando o seu potencial para promover modelos de desenvolvimento capazes de restaurar ecossistemas, fortalecer comunidades e gerar prosperidade sustentável. Conclui-se que a transição da sustentabilidade para a regeneração representa uma oportunidade para construir territórios mais resilientes e inclusivos, melhor preparados para enfrentar os desafios do século XXI.

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